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sábado, 26 de julho de 2014

A mensagem do Santander que o governo não quer que você conheça

A mensagem enviada pelo banco Santander a seus clientes e a reação do governo. Leia, esta mensagem é para você também que é brasileiro, mesmo que não seja um dos clientes exclusivos do banco: 



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O banco Santander corretamente divulgou a seus clientes de alta renda a mensagem acima. O PT obviamente reclamou, afirmando que se trata de "terrorismo eleitoral". Este tipo de situação é tudo que o Partido dos Trabalhadores adora, tem todos os elementos das estórias que eles amam contar: 

É um banco, é estrangeiro e a mensagem foi enviada apenas para os clientes ricos. Pronto, o enredo está formado. Eles, as elites estão se unindo para tirar o PT do poder. Porque a "elite branca de São Paulo" não gosta de ver pobre andando de avião. Observe a reação de petistas e diga se não é qualquer coisa parecida com isto. 

Acontece que o banco Santander deve ser elogiado. E também, duramente criticado, logo digo porquê. Elogiado, por ter uma postura franca com seus clientes. Todos neste país já entenderam que a possibilidade de Dilma perder a eleição tem feito as ações na bolsa subirem. Da mesma forma, qualquer chance de que ela venha a vencer derruba as cotações. Aqui no blog já escrevemos sobre isto: Efeito Gangorra: Dilma cai x Bolsa sobe

Portanto, o banco está alertando os seus clientes de algo que é de total interesse, e deve ser elogiado pela transparência com que trata com eles. 

Mas, aí vem o presidente do PT, Rui Falcão, e diz que o banco já está revendo a posição, e provavelmente, todos os envolvidos na divulgação da nota serão demitidos. Caso, seja verdade, será um duro golpe na liberdade em nosso país. 

Não deixa de ser uma contradição que o presidente do Partido que se diz dos trabalhadores aplaudir a demissão de trabalhadores. O mais grave, porém, é que mostra que no Brasil a liberdade está sendo extinta aos poucos. Agora, uma empresa não pode mais se posicionar contra o governo, deve inclusive omitir uma informação relevante a seus clientes, caso, esta informação seja contrária ao governante de momento.

Notem ainda, que não em toda a nota qualquer menção a votos. Mas, sim ao fato de que os investimentos feitos pelo cliente podem sofrer oscilações em função das eleições. O fato do maior partido do país não saber conviver com a divergência e com a liberdade de opinião demonstra que a política no Brasil ainda não alcançou a maturidade.

E, não é a primeira vez que isto ocorre com o Santander. Algum tempo atrás, o banco demitiu o seu presidente Alexandre Schwartsman, exatamente, porque ele discordou do presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli. Como a Petrobrás é uma das principais clientes do banco, sobrou para o economista, que ao final estava certo. Apenas, para constar o TCU acaba de condenar o ex-presidente da Petrobrás a ressarcir os cofres públicos pelo estrondoso prejuízo no caso da refinaria de Pasadena. 

E, agora vem o porquê do banco precisar ser duramente criticado: Por ter enviado esta mensagem a apenas alguns de seus clientes. Uma informação desta, apesar, de nova deveria ter sido enviada a cada cidadão brasileiro que em outubro decidirá o futuro do país pelos próximos quatro anos. Goste o PT ou não, o fato é que sua candidata perdeu toda a credibilidade na economia. Espalhe e divulgue você também.

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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Diretrizes do Programa de Governo do PT: Democracia na Comunicação

Ainda que se negue a existência direta de censura de conteúdo, o programa do partido abre brechas para que esta seja feita indiretamente.




A democratização da sociedade brasileira exige que todas e todos possam exercer
plenamente  a  mais  ampla  e  irrestrita  liberdade  de  expressão, o  que  passa  pela
regulação dos meios de comunicação – impedindo práticas monopolistas – sem que
isso implique em qualquer forma de censura, limitação ou controle de conteúdos.

Uma  nova  regulação  dos  meios  de  comunicação  deve  proteger  e  promover  os
direitos  humanos  e  combater  os  monopólios,  atualizando  as  conquistas  cidadãs  da Constituição Federal, regulamentando o que já é previsto na mesma em relação às rádios e televisão brasileiras.

O  Marco  Civil  da  Internet,  ao  garantir  respeito  à  privacidade,  a  transparência  e  a neutralidade  da  rede,  foi  nossa  resposta  ao  desafio  de  preservar  a  independência deste  meio  de  comunicação, expressa  a  postura  soberana  do  Brasil e  baliza  nossa política de comunicação.


O modelo de mídia ideal que o país tanto precisa é aquele que afasta cada vez mais o Estado de qualquer interferência nos meios de comunicação. Em política e na vida para cada decisão devemos observar aquilo que se vê e o que não se vê. A interferência do Estado pode trazer benefícios? Sim. Estes benefícios superam os prejuízos? Não. 

Em que setor da comunicação brasileira pode-se falar na existência de monopólios? Na Tv, no Rádio, na Internet? Claramente, a comunicação no Brasil é pulverizada, espalhada por todo o país, e com características próprias de cada local. 

A diretriz do PT traz dentro de si uma contradição. Se se afirma que uma nova regulação é necessária para promover e proteger os direitos humanos, supõe-se que com a regulação atual os meios existentes não protegem ou promovem tais direitos. Desta forma, de que maneira pode-se alcançar este objetivo sem censurar, limitar ou controlar os conteúdos? 

O Marco Civil da Internet, trouxe também um aspecto que não permite a democratização dos meios de comunicação, e se a regulação que criou for utilizada como marco para as demais mídias, o Brasil estará caminhando no sentido contrário à democratização. O Marco Civil da Internet impôs a neutralidade de rede. Deste modo, as prestadoras de serviços de internet não poderão mais direcionar a largura de banda para os sites mais visitados e diminuir a dos menos visitados. Isto não é democratizar. Pois, o site mais acessado é aquele mais desejado pelos internautas, portanto, deveria ter direito a uma largura de banda maior, para permitir que mais pessoas possam ter acesso a ele de forma rápida. E o menos visitado, deveria receber uma largura de banda inferior ajustada para o volume de tráfego que o site gera.

Pela lógica petista, isto fere a democracia da comunicação. Para eles ambos deveriam ter exatamente a mesma largura de banda, independente de seu público. Acontece que o site que os brasileiros mais desejam visitar será prejudicado, já que o grande fluxo de internautas que o acessam podem provocar o congestionamento mais rápido, travando o site. Por sua vez, o site de menor acesso terá uma largura muito superior ao seu volume de tráfego. 

O modelo de democratização da comunicação do PT é aquele que desconsidera os consumidores da informação, para privilegiar os produtores. Ele foca em quem produz e não em quem utiliza. Ou seja, o partido considera que a comunicação no Brasil será democratizada se o pequeno veículo de comunicação visto e consumido por um pequeno número de pessoas, tiver exatamente o mesmo espaço para expressar as suas ideias, daquele que é líder do mercado, e portanto, atende a um público maior de pessoas. É um modelo de democracia de cima para baixo, em o principal interessado, o consumidor, é desprezado em seus interesses. Em última instância o que o partido propõe é sim um controle de conteúdo, que force as pessoas a verem aquilo que ele acredita ser benéfico para as pessoas. 

Em breve, você não precisará mais de um controle remoto para mudar entre os canais. O PT fará isto por você, adaptando os seus programas favoritos para que passem a você a mensagem que o partido da presidente Dilma acha que é certo e bom para a sua mente. Mas, isto não é uma forma de censura, é algum tipo de democracia em que o que você pensa não vale de nada.


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Diretrizes do Programa de Governo do PT: Direitos Humanos

Recontando a história. E as lutas das minorias.


Aos 50 anos do golpe militar de 1964, o Partido dos Trabalhadores reafirma a luta. Pelos direitos humanos como parte essencial da democracia. As múltiplas dimensões dos direitos humanos incluem o apoio às populações indígenas, a implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Estatuto da Juventude, do Estatuto do Idoso, os direitos das pessoas com deficiência, a luta contra a homofobia, contra o Racismo, os direitos das mulheres e o Estado laico.

A revisão da Lei da Anistia com a punição dos crimes praticados por agentes do Estado durante a ditadura militar e a ação da Comissão da Verdade, através do resgate da história daqueles e daquelas que foram torturados, desaparecidos, exilados, mortos, perderam seus familiares e amigos -- ajudam a impedir a continuidade destas práticas nas forças armadas e de segurança, na justiça e no sistema prisional, na criminalização dos movimentos sociais e na discriminação contra as camadas populares.

A visão sobre os Direitos Humanos do PT é uma visão típica das esquerdas, de enxergar direitos humanos de forma retalhada. O indivíduo é visto não em sua dimensão ampla que é a condição de ser humano. Mas, em sua visão mais restrita, componente de um grupo específico dentro do arranjo mais amplo que é o da humanidade. 

Neste modelo, o direito humano é adaptado e setorizado, ao invés, de Universal. O que vem posto na diretriz do programa de governo, trata que apenas minorias seriam detentoras de Direitos Humanos, excluindo-se os demais. 

Ao focar em certos grupos, quais são: indígenas, crianças, adolescentes, idosos, deficientes, homossexuais, negros e mulheres, supõe-se que o partido considere que um homem branco heterossexual, por exemplo, não merece a sua atenção no que tange aos Direitos Humanos. Dentro da ideologia petista, o mundo é dividido entre opressores e oprimidos. Logo, o homem, branco, heterossexual é um opressor por natureza, e uma mulher, negra e homossexual é também por natureza uma oprimida. 

Esta visão maniqueísta que o partido defende, deve ser, desta forma, entendido como uma categoria diferente dos direitos humanos, que não aquela universal adotada pela Organização das Nações Unidas em 1948, conhecida por Declaração Universal dos Direitos Humanos. Universal por não distinguir humanos por suas características biológicas, sociais, religiosas, sexuais, ou qualquer outra espécia de distinção. 

Aí, portanto, torna bastante compreensível a razão pela qual as diretrizes do programa de governo da Presidente Dilma Rousseff, criou uma comissão da verdade, que visa resgatar a história daqueles que foram torturados, mortos, desaparecidos, exilados pelos militares, mas, não inclui entre os seus objetivos resgatar a história de militares que também foram torturados e mortos pelos grupos de resistência à Ditadura. Também, não surpreende que o partido pretenda ao arrepio da lei, derrubar a lei da Anistia, mas, com o objetivo claro de punir os militares que cometeram crimes na Ditadura e foram beneficiados pela anistia, mas, desconsidera que também os grupos terroristas que operaram no Brasil no período contra a ditadura foram beneficiados pela mesma lei. 

O que se conclui, portanto, é que num eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, a questão dos direitos humanos terá esta visão limitada do que é ser humano, uma visão sequelada, que considera humanos detentores de direitos aqueles que dentro da lógica do partido, compõem o conjunto dos oprimidos. Os que estão fora deste grupo, são imediatamente opressores, com os quais o partido não demonstra apreço por seus direitos.


Portanto, seguindo a lógica presente na diretriz de governo da presidente Dilma Rousseff se você for homem, branco ou pardo, heterossexual, sem deficiências e praticante de qualquer religião, caso, alguém do sexo feminino, negro, homossexual, deficiente ou ateu violar qualquer dos seus direitos humanos, é provável que o partido e o governo irão se colocar ao lado dos violadores contra você. Afinal, você representa aqueles que historicamente foram os opressores, e ter nascido com suas características está acima do ser humano que você também é. 


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terça-feira, 22 de julho de 2014

Diretrizes do Programa de Governo do PT: Democracia Participativa

A caminho de uma democracia direta. O primeiro passo: o decreto 8.243.







Os governos Lula e Dilma criaram a maior dinâmica de democracia participativa no governo federal, generalizando a prática das conferências nacionais nos ministérios responsáveis por políticas sociais, formulando um diálogo permanente com os movimentos sociais, ampliando os fóruns e conselhos com representação da sociedade civil.  

 Esta dinâmica deve ser institucionalizada, criando um sistema nacional democracia participativa, promovendo uma discussão nacional das prioridades do orçamento federal, formatando um processo permanente de ampliação dos direitos democráticos de participação.



A participação da sociedade nas discussões das políticas públicas no país são bem-vindas. E um mecanismo que amplie e facilite esta participação é desejável. O PT infelizmente propõe um caminho que não tornará a participação da população mais efetiva, pelo contrário, tornará o Estado refém de movimentos sociais articulados, como o Movimento dos Sem-Terra, e sua versão urbana, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Criando dois tipos de representação política. Aquele legitimado pelo voto de todos os cidadãos. E aquele dos grupos próximos ao governo que falarão em nome de toda a população, mas, que não terão sido indicados por ela. 

O mais interessante, sobre o decreto 8.243 é que ele foi imposto por decreto. Ora, um instrumento que visa ampliar a democracia, deveria ter sido discutido amplamente pelo Legislativo, que é o poder responsável por criar leis neste país, e representa os eleitores. Permitiria ainda, um envolvimento de todas as correntes políticas, com a discussão sendo feito por partidos do governo e da oposição, legitimamente representando todas as variantes políticas da sociedade. 

Segundo o governo, o decreto teria sido discutido por dois anos, com a participação de grupos da sociedade civil organizada. Apesar disto, parece que exceto os participantes da discussão, o restante do Brasil foi pego de surpresa. Ora, se as discussões que criaram este mecanismo de democracia participativa, já mantiveram a esmagadora maioria da população fora das discussões, porque pensar, que uma vez implantado seria diferente? 

A origem do projeto, já revela que esta proposta da presidente Dilma para seu segundo mandato, também está aquém da realidade. No discurso é positivo que tenhamos uma democracia mais participativa. Na prática, porém, os meios que o partido propõem seguem em direção contrária. O Congresso faz bem em derrubar este decreto.

Esperamos que nas propostas de governo, este tópico traga uma proposta melhorada.  O objetivo é positivo, mas, a proposta petista é ruim, e tem efeito contrário diminuirá a participação da população nos rumos do país.


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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Diretrizes do Programa de Governo do PT: Reforma Política

Vamos iniciar uma série aqui no blog, dedicada a analisar as diretrizes de governo dos principais candidatos a presidência da República. Começamos pelas diretrizes de governo do PT. Neste primeiro estudo a Reforma Política: 





A  reforma  política  é  a  mãe  de  todas  as  reformas.  Sua  realização  corrigirá  as profundas  distorções  que  marcam  nosso  sistema  representativo  e  o  funcionamento dos  poderes  da  República,  permitindo uma  maior  participação  da  sociedade  na formulação e controle das políticas públicas, fortalecendo a dimensão republicana e laica do Estado brasileiro, corrigindo a sub-representação de mulheres, negros, jovens e trabalhadores na composição atual do Congresso Nacional.  Uma  Constituinte  Exclusiva para  a  reforma  política  eliminará  o  financiamento empresarial  privado  nos  processos  eleitorais,  que  constitui  uma  das  fontes  da corrupção sistêmica que afeta o funcionamento de nosso sistema republicano.


Logo após as manifestações de junho do ano passado, a presidente Dilma, buscou atender as reivindicações com o pacto formado por 5 medidas que deveriam supostamente satisfazer as demandas da sociedade. A principal acabou sendo a reforma política. As diretrizes não trazem as ações detalhadas a serem propostas, são muito amplas. Mas, podemos analisar o que vai por trás do pensamento comparando com atitudes concretas apresentadas pelos postulantes. 

Maior participação popular 


A ideia de que a população participe mais das decisões do governo é sempre positiva, e não pode ser contestada. A forma como será feita, sim, podemos contestar. A presidente por meio do decreto 8.243, que institui a Política Nacional de Participação Social. O seu objetivo é permitir que a sociedade civil interfira na elaboração de políticas públicas por meio de conselhos definidos pelo governo. Uma medida que visa ampliar a democracia, mas, que foi implantado por meio de decreto, excluindo o Congresso que representa a população das discussões. É uma contradição na origem.

O projeto sofreu duras críticas de juristas, como Ives Gandra, e uma reação do Congresso no sentido de derrubar o decreto. É importante ouvir a população antes da implantação de medidas públicas, e isto já ocorre nas Casas Legislativas, por meio de audiências públicas. O problema com o decreto é que ele fragilizaria a nossa democracia, ao dar poder para alguns cidadãos que não foram eleitos pelo povo, mas, que se articulam em movimentos sociais, a poder influir em políticas públicas que afetam a vida de toda a população.

De forma que, a menos que você passe a dedicar parte dos seus dias a atividades políticas, você pode ter sua vida influenciada por decisões tomadas por supostos representantes da sociedade a quem você não elegeu, e que foram selecionados pelo próprio governo. Se a maioria dos brasileiros por trabalharem não teriam condições de se dedicar a estes conselhos, imagine os que vivem em regiões mais distantes, os analfabetos, os menos educados? Estes teriam ainda menos condições de participar. Por isso, o decreto foi acertadamente definido como de características ditatoriais. Basta observar, que o modelo a ser adotado no Brasil remete a modelos comuns em outras ditaduras na região

Neste quesito, o programa do PT demonstra que quer se reaproximar do movimentos sociais que foram fundamentais para a ascensão do partido, mas, os quais ele deu as costas tão logo subiu a rampa do Planalto. Uma vez que perdeu o controle destes movimentos que se moveram para partidos mais à esquerda como o PSOL, que lhe faz oposição.


Grupos sub-representados: É bom começar fazendo o dever de casa


O PT em suas diretrizes se propõe a corrigir a sub-representação de grupos da sociedade como negros, mulheres, jovens e trabalhadores, mas, devia começar fazendo o dever de casa. 

Um levantamento feito com os 88 deputados do partido em exercício, nota-se que estes grupos são sub-representados dentro do próprio PT. Por exemplo, dentre os 88 parlamentares, apenas 10 são mulheres. E entre as etnias só foi possível identificar 06 negros entre todos os deputados petistas. Ainda que a questão de cor no Brasil seja subjetiva, e é possível que dentro do partido haja um número maior dos que se consideram negros, há apenas 06 deputados que se podem afirmar negros pela análise visual. O que se observa é que na Câmara dos Deputados o PT é um partido majoritariamente formado homens brancos. 

Com relação a incluir trabalhadores, é algo totalmente questionável, pois, seria necessário esclarecer o que o partido considera um trabalhador. São aqueles que executam trabalhos braçais, ou os que se dedicam a atividades intelectuais como professores e economistas também são trabalhadores? Como considero que a definição de trabalhador é ampla, abrangendo desde o porteiro, até o presidente de uma empresa, não parece fazer muito sentido a inclusão de trabalhadores na política, além da retórica política:

Sexo 78 homens 10 mulheres
Cor 82 brancos 06 negros



Também neste quesito, o PT não apresenta muita coerência com o discurso. As profissões mais comuns entre os deputados petistas são: advogados, economistas, médicos, professores e servidores públicos. O partido tem pouca inclusão de minorias entre seus congressistas. Portanto, seria positivo que resolvesse primeiro internamente a sub-representação de grupos minoritários, e somente em seguida, apresentasse uma solução para o país. 


Constituinte Exclusiva para reforma política e Financiamento Público de Campanha


A Constituinte Exclusiva apresentada no dia 24 de junho do ano passado, foi rechaçada pelo próprio governo no dia seguinte 25 de junho, quando vários dos principais juristas brasileiros mostraram a ilegalidade da proposta. 

Mas, o PT insiste em seu programa com esta medida. Na internet tem mobilizado toda a sua máquina de sites e blogs financiados para recolher apoio em uma petição. Pretende, portanto, utilizar apoio popular para impor-se a lei. Manipular a opinião pública para impor-se sobre a Constituição Federal. É uma demonstração de desapreço pela lei maior deste país, que demonstra o que será um eventual segundo mandato Dilma: A imposição na marra de propostas que tem sido amplamente rejeitadas pela população por serem ou ilegais ou que ferem a nossa democracia, como controle da mídia e a reforma política nos moldes favoráveis ao partido.

Por que o partido que mais arrecada recursos com a iniciativa privada pretende acabar com o financiamento privado de campanhas? Não é uma incoerência política? Se o financiamento privado, como o próprio partido afirma é a fonte de toda corrupção política no país, ele como partido que se pretende mais ético que os demais não deveria abandonar esta prática? 

Por fim, é incompreensível que um partido que governa o país há 12 anos, e não tenha feito qualquer esforço para melhorar nosso sistema político, tendo se aproveitado de todas as suas falhas, como por exemplo, as alianças espúrias para conseguir maior tempo de TV, se apresente agora como o partido capaz de reforma nosso sistema político. 

Neste primeiro tópico, Reforma Política, o PT mostra que o que ele promete e o que ele faz são coisas muito diferentes. Em 12 anos, o partido não fez sequer o dever de casa e pretende reformar o país. Infelizmente, neste quesito, o partido carece de credibilidade. 



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sábado, 19 de julho de 2014

Efeito Gangorra: Dilma cai x Bolsa sobe

Já virou rotina. A cada nova pesquisa de intenção de votos para a corrida presidencial de outubro cresce a expectativa dos mercado s para os dados divulgados. Como uma gangorra, é só Dilma cair que as bolsas sobem.

Efeito Gangorra Política Economia
Efeito Gangora - Dilma desce x A economia sobe

Desde 14 de março de 2013, a Bovespa não fechava num patamar tão elevado. Bastou na quinta-feira o Datafolha divulgar pesquisa eleitoral para as eleições de Outubro que as ações dispararam. O motivo da euforia? A candidata a reeleição Dilma Rousseff caiu ainda mais nas pesquisas e agora já empata com o candidato de oposição Aécio Neves. 

Segundo, o Datafolha apesar dos números no primeiro turno não terem sofrido grandes alterações, no segundo turno já se detecta um empate técnico entre Dilma e Neves. Mesmo na comparação com Eduardo Campos, terceiro colocado na disputa, a vantagem de Dilma caiu, e as chances de derrota para o pernambucano também cresceram. 

O efeito Gangorra da bolsa indica que entre o empresários e profissionais do setor financeiro a derrota do PT nas eleições é tudo que o Brasil precisa para sair do marasmo econômico em que se encontra. 

Dilma é também a mais rejeitada pelo cidadão comum


E, pelo visto, não são somente os investidores que estão insatisfeitos com o governo Dilma. A mesma pesquisa revelou que 35% do eleitorado afirmam que não voltariam em Dilma de maneira nenhuma. O dobro do seu maior adversário Aécio Neves que tem rejeição de 17% e quase três vezes a rejeição que possui Eduardo Campos com 12%. 

pesquisa datafolha eleição presidencial 2014
Índice de Rejeição dos Presidenciáveis - Datafolha

A aprovação do governo caiu. Os que consideram o governo Dilma ótimo ou bom caiu de 35% para 32% entre a pesquisa realizada durante a Copa do Mundo e a desta semana. A avaliação regular permaneceu estável em 38% e os que consideram o governo ruim ou péssimo somam agora 29%. 



Efeito Gangorra tende a se intensificar

Segundo, Raphael Carneiro, analista técnico da Clear Corretora, o movimento tende a se intensificar à medida que novas pesquisas apontem para uma disputa de segundo turno. Em entrevista ao Valor ele afirma que altas serão cíclicas acompanhando os movimentos de tendência de derrota da presidente na disputa eleitoral.

Entre as ações que mais se valorizaram nesta sexta estão Vale, Petrobrás e Eletrobrás, três empresas estatais, que tem sofrido com a ingerência do governo petista em suas operações. 

O efeito Gangorra não é muito racional. Considera apenas a derrota de Dilma Rousseff, mas, descarta as possibilidades alternativas à esta derrota. Aécio Neves e Eduardo Campos ainda não foram muito claros com relação a suas políticas econômicas.

Contudo, a qualidade do governo de Dilma Rousseff, parece ter tornado oportuno para qualquer candidato de oposição utilizar o slogan do palhaço Tiririca na eleição passada: "Pior que tá, não fica".
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quinta-feira, 10 de julho de 2014

O 7x1 Histórico e o Brasil de 2014

Cada povo tem a sua forma de se expressar e apresentar para o mundo que revela muito sobre os seus valores, a sua atitude, as suas virtudes e seus defeitos. Normalmente a cultura e o esporte são a principal forma de expressão. E para nós, brasileiros, o esporte é a maneira principal que desenvolvemos para dizer ao mundo quem somos.

Cafu ergue em 2002 a taça de
Campeão do Mundo
O Brasil se expressa com a bola nos pés. Mesmo para o brasileiro que nunca jogou bola, é no futebol que nos revelamos. E a seleção brasileira é a expressão máxima de nosso momento como povo. Reflete a nossa apatia, os nossos temores, a nossa ousadia, o nosso destemor, a nossa raça, a nossa ginga, a nossa soberba, ou a nossa malandragem.

E é na Copa do Mundo que mostramos para todo o planeta o que é e quem é o povo brasileiro. Olhando para a nossa seleção podemos enxergar o presente e às vezes até o nosso futuro. Seja dentro de campo ou fora dele vibrando e torcendo, é a partir do momento que acontece o apito inicial que nos unimos de norte a sul para deixarmos de lado as nossa diferenças regionais e nos transformamos num único e gigantesco povo. 

A cada quatro anos, lá estamos nós, sempre confiantes em mais um título, confiantes de que não há país no mundo, dentro das quatro linhas capaz de nos vencer. Mesmo depois de derrotas dolorosas, quatro anos depois voltamos confiantes que a Taça do Mundo será nossa. Neste sentido, a Copa revela sempre este aspecto imutável de nosso povo: a esperança de que dessa vez será melhor, e se não foi dessa vez, será na próxima. 

A esperança talvez seja a única coisa que nunca mude. Mas, o nosso comportamento dentro de campo há cada Copa é diferente. 

Em 2002, o Brasil vinha de alguns anos de economia difícil e aquele ano de 2002 não era diferente. Vivíamos uma era de resultados pífios, mas, alguma coisa nos dizia que as coisas poderiam mudar. A seleção também veio de uma de suas piores campanhas nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Foram várias trocas de treinadores, derrotas, vexames, perdíamos para times que nunca tínhamos sequer empatado e por pouco não ficamos de fora. 

Mas, veio a Copa e num misto de talento e muito trabalho, mostramos que era possível reverter o péssimo quadro. O Brasil na Copa parecia outra seleção, completamente diferente das eliminatórias. Fomos campeões do mundo invictos, vencendo pela primeira vez na história todas as partidas, e batemos na final ninguém menos que a poderosa Alemanha e seu melhor goleiro do mundo, Oliver Kahn. Aquela seleção tinha o espírito da união e do trabalho. Cada jogo era um passo que se dava, e mais uma vitória sobre a desconfiança. Até que chegamos na final e mostramos o nosso melhor. 

França derrota o Brasil em 2006 nas Quartas-de-Final
De 2006 para cá, o Brasil não venceu mais nenhuma Copa. Mesmo que tenha chegado a duas delas como o grande favorito. Em 2006, eramos os campões do mundo, e tínhamos um time estrelado, com os melhores jogadores do planeta. Caímos nas quartas-de-final, numa partida desastrosa contra a França, em que nosso desleixo marcou a nossa despedida do torneio. 

Agora em 2014 éramos outra vez favoritos. Tínhamos sido campeões da Copa das Confederações no último ano, vencendo na final ninguém menos que a campeão mundial Espanha, toda-poderosa desde 2008. A Copa em nossa casa, contando com o apoio da torcida. Nós muito mais adaptados ao clima e às distâncias. Muita coisa jogava a nosso favor. 

Até que recebemos pela frente a Alemanha outra vez. E numa humilhante derrota, jamais visto por uma seleção campeã do mundo em Copas, perdemos vergonhosamente por 7x1. E é unânime entre todos que o placar não foi maior porque os alemães assim não o quiseram. Tiraram o pé o suficiente para apenas aguardar o apito final. 

Este Brasil de 2014 dentro de campo, diz muito sobre o nosso país fora dele. Vivemos em 2014, cantando os louros de anos passados. Apesar de todos os indicadores mostrarem que o quadro atual é péssimo. Respire fundo para ler de apenas uma vez: O PIB que não cresce a um nível satisfatório desde 2011, deve crescer este apenas 1%, as contas públicas voltaram a apresentar déficits que quebram todos os recordes, a confiança da indústria é cada vez menor, assim como a dos consumidores, o brasileiro volta a demonstrar preocupação com a inflação e o desemprego, a nossa balança comercial deve fechar negativa, os índices de inflação ameaçam estourar a meta, o nível de investimentos é cada vez menor, estagnou a criação de empregos, o poder de compra tem diminuído e a população está mais endividada, a venda de veículos novos está em queda, e vou parar aqui antes que você sufoque. 

Ainda assim, a nossa Presidente vem sempre a público zombar dos que criticam a situação atual. No Brasil de 2014 não é permitido ser contra, ou mesmo ser a favor, mas, chamar atenção para os problemas visíveis. Se você não entra na onda do otimismo sem causa, você é um urubu. Vemos a Presidente passar mais tempo discursando contra os que a criticam, do que tomando medidas de verdade para resolver os nossos problemas. 

A seleção dentro de campo é assim. Uma seleção que apresenta diversos problemas, as coisas claramente não estavam funcionando a contento, mas, ninguém podia apontar estes problemas. 
Júlio César já deu grandes contribuições à Seleção, mas,
era um dos que não vinham numa boa fase.

Os jogadores são escolhidos pelo amizade e proximidade com o treinador. Mesmo aqueles que vinham de uma temporada ruim foram convocados, enquanto outros nomes em melhor performance ficaram de fora. Em campo, jogadores que claramente não funcionavam continuam titulares, apesar dos pobres resultados que apresentam. Esperávamos que a garra e a vontade superassem a falta de preparação. O nosso time era claramente descoordenado, sem um meio campo que ligasse defesa e ataque, e tudo recaia sobre as costas de um único homem, que não demonstrou está ainda à altura de carregar este peso na Seleção Brasileira. 

Fora de campo, o Brasil também parece um time descoordenado. Cada qual buscando o seu próprio caminho e tentando fazer o que pode. Ao invés de soluções verdadeiras para os problemas, ufanismo, amor à pátria custe o que custar, fé, otimismo. Tanto o Brasil de 2014 da Copa e do cotidiano parecem acreditar que com emoções positivas se resolve tudo. 

Fred e Neymar deviam ter sido os nossos homem gol
No campo, uma seleção que entrou em campo não pelo país, mas, para jogar por um jogador, o mais famoso e badalado que não entrou em campo por estar machucado, parecia acreditar poder vencer a forte, organizada e bem preparada Alemanha apenas no grito e na raça. O nosso zagueiro, talvez ele, o símbolo mais vistoso da raça, partia para o ataque querendo resolver o jogo apenas na vontade. A Alemanha fazia aquilo que se preparou para fazer, defendia quando tinha que defender, e atacava em resposta. Encontrava pela frente uma defesa que não lhe oferecia resistência e encontrou no último jogo antes da final, a partida mais fácil de toda a competição.

Os alemães se movimentam no ataque, enquanto a defesa brasileira parecia plantada ao chão, parada, inerte, imóvel olhando o adversário jogar. Enquanto alemães se moviam para alcançar o seu objetivo. O Brasil dentro de campo agia como vem agindo fora dele: parado, esperando que as coisas se resolvam apenas por nossa vontade. Não se pode dizer que o Brasil em campo não queria vencer, e também não se pode dizer que o Brasil fora dele não quer. Mas, ficar parado, acreditando que basta a nossa vontade para que as coisas deem certo é o caminho para outra derrota humilhante. 

Alemanha 7 x 1 Brasil
O futebol tem esta vantagem. O resultado está ali, escrito no placar, e não há muito o que pensar: 7x1 fomos vergonhosamente deitados. Fora do campo, as coisas são um pouco mais difíceis de serem percebidas. Basta ver a lista de nossos problemas atuais (e a lista não está nem de longe completa), para ver que também estamos sendo goleados no cotidiano. Mas, boa parte de nossa população, começando pela Presidente da República, parece esperar que apenas na raça e na vontade tudo terminará bem. O futebol mostrou, desta forma, não termina.

O Brasil costuma voltar melhor depois dos vexames - o Brasil no futebol. Aconteceu em 2002 depois de 1998. Aconteceu em 58 depois de 1950. Mas, de alguma forma parece que desde 2006 as coisas não mudam. A soberba em 2014, foi a mesma de 2010 e a mesma de 2006. Acreditávamos que bastava entrar em campo e a Amarelinha resolveria tudo. Há três copas voltávamos mais cedo para casa, após, partidas vergonhosas. Em todas a mesma mentalidade de governo estava em campo. Será que uma coisa tem mesmo haver com a outra? 
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