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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Livro: Teoria e História - O monumental Ludwig Von Mises

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Ludwig von Mises publicou diversos livros e artigos em sua longa e produtiva vida, e cada um deles foi responsável por contribuições importantes à teoria e à aplicação das ciências econômicas.  No entanto, entre eles, quatro colossais obras-primas se destacam, monumentos imortais à obra do maior economista e cientista da ação humana de nosso século.

O primeiro, que colocou Mises no primeiro escalão dos economistas, foi The Theory of Money and Credit (1912), que pela primeira vez integrou a teoria da moeda com a teoria dos preços relativos, e serviu como base para sua teoria posterior do ciclo econômico. A segunda grande obra de Mises foi Socialism (1922), que forneceu a crítica mais completa, abrangente e definitiva do socialismo, e demonstrou que uma ordem socialista não era capaz de calcular economicamente. A terceira foi seu estupendo tratado Ação Humana (1949), que propôs toda uma estrutura econômica e analítica do agente homem.

Todas estas três obras deixaram sua marca na economia, e fizeram parte do renascimento "austríaco" que floresceu ao longo da última década.

A quarta e última grande obra de Mises, no entanto, Teoria e História (1957; clique no link para ler o livro gratuitamente), teve um impacto notavelmente menor, e raramente foi citada, mesmo pelos jovens economistas do recente renascimento austríaco. Ela continua a ser a obra-prima mais negligenciada de Mises.  E, ainda assim, esta é exatamente a obra que aprofunda o suporte filosófico e a elaboração da filosofia que formam as fundações deAção Humana.  Esta é a grande obra metodológica de Mises, que explica a base da sua visão da economia, e apresenta críticas brilhantes a alternativas falaciosas, como o historicismo, o cientificismo e o materialismo dialético marxista.

É possível inferir que, apesar de sua grande importância, Teoria e História não tenha deixado sua marca porque, nesta época de cega especialização acadêmica, a ciência econômica não teria relação alguma com nada que flertasse com a filosofia. Certamente, a hiper-especialização tem o seu papel.  No entanto, nos últimos anos, o interesse na metodologia e nas fundações básicas da economia vem aumentando, e poderíamos imaginar que ao menos os especialistas deste campo teriam, nesta obra, muito a discutir e absorver.  Ademais, é de se esperar que os economistas não estejam tão absortos em seu jargão e em sua forma confusa de escrever a ponto de não serem capazes de apreciar a prosa lúcida e brilhante de Mises.

É provável, no entanto, que a falta de atenção dada a Teoria e História tenha mais a ver com o conteúdo de sua mensagem filosófica.  Embora muitas pessoas tenham consciência da batalha longa e solitária que Ludwig von Mises travou contra o estatismo, e a favor do laissez-faire, poucos se dão conta de que entre os economistas há uma resistência muito maior à metodologia de Mises do que às suas posições políticas.  A adesão ao livre mercado, afinal, não é tão incomum, atualmente, entre os economistas (embora ela não ocorra com a consistência imperturbável de Mises), mas poucos estão prontos a adotar o método distintivamente austríaco que Mises sistematizou e denominou de "praxeologia".
No cerne de Mises e da praxeologia está o conceito com o qual ele inicia, apropriadamente, Teoria e História: o dualismo metodológico, a percepção crucial de que os seres humanos devem ser considerados e analisados de uma maneira e com uma metodologia que difere radicalmente da análise das pedras, planetas, átomos ou moléculas.  Por quê?

Porque, pura e simplesmente, está na essência dos seres humanos o fato de que eles agem, de que eles têm metas e propósitos, e que tentam atingir estas metas.  Pedras, átomos e planetas não têm metas ou preferências; logo, não escolhem entre diferentes meios de agir.  Os átomos e planetas se movem, ou são movidos; não podem escolher, selecionar entre diferentes cursos de ação, ou mudar de ideia.  Homens e mulheres podem.

Logo, átomos e pedras podem ser investigados, seus percursos mapeados, e seus caminhos traçados e previstos, ao menos em princípio, até os mais diminutos detalhes quantitativos.  Já as pessoas não; todos os dias as pessoas aprendem, adotam novos valores e metas, e mudam de ideia; as pessoas não podem ser classificadas e previstas como  podem ser os objetos desprovidos de mente e que não têm a capacidade de aprender e escolher.
E agora podemos ver por que a profissão da economia resistiu de maneira tão intensa à abordagem básica de Ludwig von Mises.  Pois a ciência econômica, tal como outras ciências em nosso século, abraçou o mito daquilo que Mises se referia com desprezo e propriedade como "cientificismo" — a ideia de que a única abordagem verdadeiramente "científica" ao estudo do homem é a de imitar a abordagem das ciências físicas, em especial o seu ramo mais prestigioso, a física.

Logo, para se tornar verdadeiramente "científica", como a física e as outras ciências naturais, a economia deve desprezar conceitos como propósitos, metas e aprendizado; deve abandonar a mente humana e escrever apenas sobre meros eventos.  Ela não pode falar sobre alguém mudar de ideia, porque ela deve sustentar que os eventos são previsíveis, uma vez que, nas palavras do lema original da Sociedade Econométrica, "ciência é previsão".  E, para se tornar uma ciência "séria" ou "real", a economia não deve tratar os indivíduos como criaturas únicas, cada qual com suas próprias metas e escolhas, mas como partes de "dados", homogêneos e, por consequência, previsíveis.

Um dos motivos pelo qual a teoria econômica ortodoxa sempre teve grande dificuldade com o conceito crucial do empreendedor é o fato de que cada empreendedor é clara e obviamente único; e a economia neoclássica não consegue lidar com essa qualidade do que é único em cada indivíduo.

Além do mais, alega-se que a ciência "real" deve operar com base em alguma variante do positivismo. Assim, na física, o cientista se depara com diversas amostras homogêneas e uniformes de eventos, que podem ser investigadas em busca de regularidades e constantes quantitativas — como, por exemplo, a velocidade com a qual os objetos caem em direção à Terra.  Os cientistas, então, moldam hipóteses que expliquem as diferentes classes de comportamentos ou movimentos, e a partir daí deduzem diversas proposições por meio das quais ele pode "testar" a teoria ao compará-la com os fatos sólidos e empíricos, com estas partes observáveis dos eventos. (Assim, a teoria da relatividade pode ser testada quando certas características empiricamente observáveis de um eclipse podem ser checadas.)

Na variante Positivista Antiga, essa teoria era "verificada" por meio de uma checagem empírica; no neopositivismo mais niilista de Karl Popper, ele pode apenas "falsear" ou "não falsear" uma teoria por meio deste método.  De qualquer modo, suas teorias sempre devem ser expostas de maneira incerta, e nunca podem, pelo menos não oficialmente, ser aceitas como totalmente verdadeiras; pois ele sempre poderá descobrir que outras teorias alternativas são capazes de explicar classes mais abrangentes de fatos, ou que alguns fatos novos podem contrariar ou provar o erro de uma teoria. O cientista deve sempre vestir, ao menos, a máscara da humildade e da cabeça aberta.

Porém, foi a genialidade de Ludwig von Mises que constatou que a sólida ciência econômica jamais procedeu desta maneira, e foi também Mises quem elaborou os bons motivos para explicar este fato curioso. Houve muitas confusões desnecessárias a respeito do uso um tanto idiossincrático por parte de Mises do termo a priori, e os entusiastas dos métodos científicos modernos foram capazes de utilizá-lo para desprezá-lo como um mero místico não-científico.

Mises viu que os estudantes da ação humana estão, ao mesmo tempo, numa condição melhor e pior (e, certamente, diferente) em relação aos estudantes das ciências naturais. O cientista físico olha para as amostras homogêneas de eventos, e busca até conseguir encontrar e testar teorias explanatórias ou causais para aqueles eventos empíricos.  No entanto, na história humana, nós, na qualidade de seres humanos, estamos na posição privilegiada de jásabermos a causa dos eventos; mais especificamente, o fato primordial de que os seres humanos têm metas e propósitos e agem de modo a atingi-los. E este fato não é conhecido de maneira hesitante, por meio de tentativas, mas sim de maneira absoluta e apodítica.

Um exemplo que Mises gostava de utilizar em suas aulas para demonstrar a diferença entre duas maneiras fundamentais de se abordar o comportamento humano era observar o comportamento humano na Grand Central Station de Nova York durante a hora do rush.  O behaviorista "objetivo" ou "verdadeiramente científico", dizia Mises, observaria os eventos empíricos: por exemplo, as pessoas que iam apressadamente de um lado para o outro, sem rumo, durante horários previsíveis do dia. E isto era tudo que ele concluiria daí.  Já o verdadeiro estudante da ação humana iria partir do fato de que todo comportamento humano tem algum propósito, e ele veria que o propósito, neste caso, seria sair de casa para pegar o trem de manhã para trabalhar, e o contrário à noite, para voltar para casa.  É óbvio qual deles conseguiria descobrir e saber mais sobre o comportamento humano, e, por consequência, qual seria o "cientista" genuíno.

É a partir deste axioma, a partir do fato de que a ação humana é propositada, que se deduz toda a teoria econômica; a ciência econômica explora as implicações lógicas do fato universal da ação.  E como sabemos com toda a certeza que a ação humana é propositada, sabemos com a mesma certeza as conclusões em cada passo da cadeia lógica.  Não há necessidade de se "testar" esta teoria, pois já se sabe de antemão que tal conceito faz tanto sentido neste contexto.

A existência da ação humana propositada é "verificável"?  Ela é "empírica"?  Sim, porém certamente não da maneira precisa ou quantitativa que os imitadores da física estão acostumados.  O empiricismo é amplo e qualitativo, e é derivado da essência da experiência humana; ele não tem nada a ver com estatísticas ou eventos históricos.  Além disso, ele depende do fato de que somos todos seres humanos e podemos, portanto, utilizar este conhecimento para aplicá-lo a outros da mesma espécie.  O axioma da ação propositada é ainda mais difícil de ser "falseado"; ele é tão evidente, uma vez que tenha sido mencionado e ponderado, que claramente passa a constituir o próprio cerne de nossa experiência no mundo.

E é desta mesma maneira que a teoria econômica não precisa ser "testada", pois é impossível testá-la de alguma maneira ao se contrapor suas proposições a amostras homogêneas de eventos uniformes; pois não existem tais eventos.  O uso de estatísticas e dados quantitativos pode tentar mascarar este fato, porém sua aparente precisão tem como base apenas eventos históricos que não são homogêneos em nenhum sentido da palavra. Cada evento histórico é uma consequência complexa e única de diversos fatores causais. Como é único, não pode ser usado para um teste positivista, e como é único não pode ser combinado com outros eventos na forma de correlações estatísticas para que se obtenha qualquer resultado significativo.

Ao se fazer uma análise de um ciclo econômico, por exemplo, não é legítimo tratar cada ciclo como sendo estritamente homogêneo a todos os outros, e, por consequência, adicionar, multiplicar, manipular e correlacionar dados.  Por exemplo, fazer uma média de duas séries cronológicas, e proclamar com orgulho que a Série X tem uma média de quatro meses de avanço quando comparada à Série Y numa determinada fase do ciclo não significa praticamente nada; afinal, (a) nenhuma outra série cronológica irá necessariamente apresentar essa mesma defasagem de quatro meses, e as defasagens podem e deverão variar grandemente; e (b) a média de qualquer série passada não terá relevância aos dados do futuro, que terão suas próprias diferenças imprevisíveis em relação aos ciclos anteriores.

Ao demolir a tentativa do uso de estatísticas para emoldurar ou testar teorias, Ludwig von Mises foi acusado de ser um teórico puro, sem interesse ou respeito pela história.  No entanto, o que ocorre é justamente o contrário, e este é o tema central de Teoria e História: são os positivistas e behavioristas que não têm respeito pelo fato histórico único, ao tentar comprimir estes eventos históricos complexos no molde procrusteano dos movimentos de átomos ou planetas.

Nos assuntos humanos, um evento histórico complexo em si precisa ser explicado por diversas teorias, na maior quantidade de vezes possível; porém, ele nunca pode ser determinado completamente, nem com precisão, por meio de qualquer teoria.  O constrangedor fato de que as previsões dos supostos vaticinadores econômicos sempre tiveram um histórico desastroso, especialmente aqueles que tentaram atingir uma precisão quantitativa, é justificado pela economia tradicional com a necessidade de se aperfeiçoar ainda mais este modelo e tentar novamente.  Foi Ludwig von Mises quem, melhor do que qualquer outro, reconheceu a liberdade, da mente e de escolha, existente no cerne irredutível da condição humana, e que percebeu, portanto, que a necessidade científica do determinismo e da previsibilidade total é uma busca pelo impossível — e, logo, altamente não-científica.

Entre alguns dos austríacos mais jovens, uma falta de vontade de desafiar a ortodoxia metodológica em vigor levou à adoção pura e simples do positivismo ou ao abandono total da teoria em troca de um institucionalismo vagamente empírico.  A imersão em Teoria e História ajudaria ambos os grupos a perceber que a teoria verdadeira não está dissociada do mundo do agente homem, real, e que é possível abandonar os mitos cientificistas ao mesmo tempo em que se usa o aparato da teoria dedutiva.

A Economia Austríaca só experimentará um renascimento genuíno quando os economistas lerem e absorverem as lições vitais desta obra, infelizmente tão negligenciada. Sem a praxeologia, nenhuma ciência econômica pode ser genuinamente sólida. 


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sábado, 26 de julho de 2014

Cinema: Você já viu o primeiro Filme da história exibido num cinema?

Na França em 28 de dezembro de 1895, o primeiro filme exibido num cinema: "A Chegada de um Trem à Estação". Aquele trem transportava a sétima arte para dentro de nossas vidas: 


Segundo o IMDB, já foram produzidos no mundo 639.260 filmes para o cinema, entre curtas e longa-metragens. Isto sem contar os filmes feitos apenas para TV. Por isto, este pequeno filme acima de apenas 1 minuto tem um valor inestimável.


Dirigido pelos irmãos Lumière, ele mostra um trem chegando à estação de trens de Bouches-du-Rhône, na França. O filme foi exibido para uma pequena audiência de 30 espectadores, que entraram para a história como a primeira platéia do cinema. 

Há muita discussão se este é de fato o primeiro filme de sempre. Thomas Edson em 1893 já havia feito algumas experiências com o seu kinetoscópio. Os próprios Lumière haviam produzido em 1895 o filme "Operários saindo da fábrica". Tudo isto é apenas controvérsia para a história. 

A exibição de um trem chegando à estação é envolvida em lendas. Conta-se que os espectadores saíram apavorados do cinema ao verem o trem vindo em sua direção, com medo de serem atingidos pelo mesmo. Outra versão afirma que muitos se esconderam debaixo de suas cadeiras com medo da máquina que lhes parecia sairia da tela. 

Trem chegando à estação - operários deixando a fábrica
Irmãos Lumière
Estas lendas criam um folclore sobre o nascimento do cinema. Verdadeiras ou não o fato é que este trem chegando à estação criou um grande impacto na humanidade desde então. O cinema se tornou uma das principais ferramentas de expressão e de registro da história da humanidade, tomando a hegemonia das pinturas e dos livros. Há muitas pessoas que nunca ou pouco leram um livro, ou pararam para admirar um pintura, mas, é praticamente impossível encontrar no mundo quem nunca viu a um filme. 

O valor destas primeiras obras do cinema que nem som tinham, deve ser entendido em sua dimensão histórica. Para nós que já nascemos num mundo em que o cinema é uma grande indústria, estas obras parecem muito primitivas. Mas, procure imaginar o ano de 1896, pela primeira vez na história você ver o mundo em movimento projetado sobre uma tela, num tempo que até então só se conheciam as imagens estáticas da pintura e da fotografia.

Pela primeira vez, você poderia conhecer qualquer parte do mundo, em movimento, sem sair da sua terra. A humanidade naquele dia embarcou num trem que continua nos levando muito mais longe que uma pequena estação ferroviária francesa. 

Como bônus aproveite para ver também o primeiro filme dos irmãos Lumière: "Operários saindo da fábrica". 



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domingo, 13 de julho de 2014

História: O último salto do "alfaiate voador" Franz Reichelt

A Torre Eiffel viu a primeira máquina mais pesada que o ar levantar voo. Viu também em 1912 o último salto do "alfaiate voador" Franz Reichelt: 



Texto sobre Franz Reichelt extraído do blog Onda Filosofal:

Franz Reichelt – ou François Reichelt – nasceu em Viena, Áustria, no ano de 1879. Em 1898, mudou-se para a capital francesa, onde aprendeu o ofício de alfaiate e abriu o seu próprio ateliê, em 1907. Com o advento dos aeroplanos, número de aviadores mortos em acidentes aumentava cada vez mais. Para se ter uma ideia, foram 34 aviadores mortos em 1910, 73 em 1911 e chegariam a 140 as vítimas fatais em 1912. Os primeiros paraquedas ainda eram antiquados e inseguros, não sendo praticáveis para o uso na aviação. Contudo, Reitchelt teve uma ideia: desenvolver um traje que permitiria ao piloto deixar a aeronave em caso de emergência e planar suavemente em segurança até o solo.

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livro: A revolta de Atlas - Ayn Rand

Ayn Rand é uma escritora, filosofa, dramaturga e roteirista americana, de origem russa. Nascida em 2 de fevereiro de 1905, em São Petersburgo e emigrou para os Estados Unidos em 1926. Publicou no ano de 1943 The Fountainhead ("A nascente", no Brasil) e em 1957 foi lançado aquele livro que é considerado sua melhor obra Atlas Shrugged ("A revolta de Atlas", no Brasil). Livro que indico a leitura.

Clique na imagem para ler o Volume I

Atlas, é na mitologia grega um dos titãs, seres gigantes, violentos e monstruosos que encarnavam as forças selvagens da natureza, forças do caos e da desordem, escravos da matéria e do sentimento que preparariam o mundo para receber uma forma de vida mais elevada e consciente: os seres humanos. Em união com outros titãs, Atlas iniciou uma revolta para conquistar o Olimpo e exercer o poder supremo. Foram, contudo, derrotados por Zeus e seus aliados. Como forma de punição, Zeus, condenou Atlas a suportar eternamente o peso dos céus sobre os ombros. 

O livro a Revolta de Atlas fala de como as ideias coletivistas, a busca pelo bem-estar comum está destruindo o ambiente propício para que os empreendedores e homens criativos possam desempenhar o seu trabalho. Num Estado Unidos sob um regime totalitário de governo que pretende controlar todas as dimensões da vida, os homens criativos encontram-se desmerecidos, taxados, discriminados. Tal qual o Atlas da mitologia, os empreendedores parecem condenados a sustentar toda a sociedade em seus ombros, até que por não mais suportarem a opressão vão desaparecendo um a um. 

O universo em que se passa a Revolta de Atlas é decadente, dominado por homens incompetentes e invejosos dedicados a sugar dos indivíduos tudo quanto for possível em nome do coletivo. Vive-se então num ambiente de corrupção, de relações obscuras entre governo e empresários amigos. O livre mercado é atacado, inovadores desestimulados e empresários oprimidos, trazem como consequência um mundo em que sem estes criadores a economia retrocede. 

Não podia falar deste livro, sem falar num questionamento que abre e encerra a obra: Quem é John Galt? A princípio provavelmente você terá a mesma atitude das personagens diante desta pergunta, que surge sempre que parece faltar a resposta para uma situação. 

A revolta de Atlas é um livro que nos leva a pensar num mundo em que a criatividade, a iniciativa, o individualismo, o capitalismo, o livre mercado são suprimidos, para impor em substituição um mundo igualitário, centralizado, coletivista, que põe o bem-estar coletivo acima do individual. Este é o segundo livro mais vendido dos Estados Unidos, atrás apenas da Bíblia. 

O vídeo a seguir venceu o concurso "Lições da Revolta de Atlas", e sem dúvida te fará começar a leitura deste livro: 

Link Original do vídeo no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=xKbMsVLF5w4


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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Posts Polêmicos 3: O indivíduo que pensa em seu bem-estar pessoal é mais altruísta.

Revertendo toda a lógica dominante. Agir para satisfazer os próprios interesses torna as pessoas mais altruístas.


Nos aproximamos do fim desta primeira série de posts polêmicos com este terceiro post que vem desfazer o mito de que indivíduos que trabalham em busca do auto-respeito, da auto-suficiência e da auto-perpetuação são egoístas. Uma mentira que tem sido usada pelos coletivistas para disseminar suas ideias. 

Os coletivistas afirmam que vivemos numa sociedade egoísta, em que as pessoas se preocupam apenas com os seus próprios interesses, independente do mal que causem a outras pessoas. Quando pesquisei por "individualismo" no google imagens para o primeiro post polêmico (o indivíduo massacrado), me chamou atenção que quase todas remetiam a atitude egoístas, de desprezo pelo próximo e pelo bem comum. 

Esta é uma visão deturpada da realidade. O indivíduo quando assume a sua auto-afirmação perante a coletividade, torna-se responsável pelos seu próprio destino. Isto significa que ele assume que o grande responsável pelo seu sucesso ou fracasso é ele próprio. É preciso uma fé em si mesmo tamanha para assumir tal responsabilidade. 

Por outro lado, os coletivistas desenvolveram uma forma de pensar oposta. O indivíduo quando fracassa não é pelos seus próprios erros, mas, por não ter recebido condições e oportunidades da sociedade. Da mesma forma, o sucesso individual entre coletivistas é motivo de vergonha. Para estes não existem perdedores. Mesmo numa disputa em que um vence e outro perde, o vencedor deve comemorar com a humildade de reconhecer que o seu oponente era tão bom quanto ele e que também merecia a vitória. Já notaram como são os discursos dos atletas hoje em dia? Exaltando mais o seu oponente derrotado que a própria conquista? Apesar do discurso forçado, no entanto, o que perde, continua perdedor.

O que o coletivismo tem conseguido criar é uma sociedade culpada. Que se envergonha do sucesso e passa a viver de aparências. Afinal, ninguém é capaz de se colocar em segundo plano o tempo todo para satisfazer aos outros. É cada vez maior um sentimento de desgosto e desprezo pelo restante da sociedade. As pessoas não conseguem compreender como existem tantas pessoas egoístas e insensíveis no mundo, não entendem porque doam tanto de si e não recebem o mesmo em troca. É grande o número de pessoas que se anulam para atender às necessidades dos outros, aceitam coisas que não gostariam para não magoar o sentimento alheio.

Este conflito entre fazer o bem para o próximo e sentir-se mal consigo mesmo foi criado pelo pensamento coletivista, e sua imposição moral de que nossas ambições individuais são reprováveis e somente o pensar no próximo é positivo e desejável. 

Os individualistas por sua vez, colocam o seu bem-estar em primeiro lugar, somente quando têm as suas necessidades satisfeitas é que se permitem pensar nos interesses dos outros. Num primeiro olhar podemos concluir que individualistas são egoístas. Na prática, porém, se observa que estas pessoas são as mais altruístas e aquelas que mais contribuem para o bem-estar coletivo. Não é difícil entender o porque. 

As pessoas que estão satisfeitas em suas necessidades são mais propensas a ajudar ao próximo. Uma vez que conseguiram atingir seus objetivos na vida, as pessoas podem dedicar-se a auxiliar outras pessoas a também alcançar seus objetivos. Basta observar como é comum que indivíduos de sucesso costumam fornecer ensinamentos e a transmitir a sua experiência. Seja dando aulas em universidades, ministrando palestras, escrevendo livros, etc. 

As contribuições de um indivíduo que dedicou sua vida a alcançar seus objetivos e obteve sucesso são mais valiosas do que a de alguém que não teve a mesma sorte. Bill Gates tem mais a nos ensinar sobre como ter sucesso na vida, do que aquele militante de esquerda que vive a reclamar dos problemas do capitalismo. 

O individualista desenvolve um senso de responsabilidade. Por saber que o seu sucesso ou o seu fracasso depende apenas de si, o individualista não pode se dar ao luxo de depender da benevolência dos outros. Por isto, precisam ser totalmente responsáveis por desenvolver as habilidades e adquirir os conhecimentos necessários para alcançar o seu sucesso. Enquanto os coletivistas reclamam da falta de oportunidades, o individualista fará a sua própria sorte. Perderá noites em estudo para frequentar as melhores universidades, trabalhará aos fins de semana para que sua empresa prospere. Ouvirá muitos "não", mas, permanecerá insistindo, até ouvir um "sim". 

E, por fim, o individualista e o altruísmo. O indivíduo movido pelos desejos de auto-respeito, auto-suficiência e auto-perpetuação, descobre que a verdadeira força motriz de uma sociedade são as pessoas que a compõem. Percebe, que não adianta ele ter sucesso no meio de fracassados. O indivíduo tem muito claro, que o seu empreendimento somente estará seguro, se todos os outros indivíduos tiverem a mesma segurança. Percebe que ser a única pessoa rica rodeada de pessoas pobres, ser o único que tem o que comer no meio de famintos ou se apenas ele dispõe de abrigo em meio a desabrigados o torna vulnerável.

O individualista entende que a única forma de garantir o gozo do seu sucesso é garantir que o outro também tenha garantido este direito. A única forma de garantir que não será violado física ou moralmente é respeitar o próximo nas mesmas condições em que precisa ser respeitado. O pensamento liberal clássico que é fundamentado na defesa do indivíduo contra o poder massacrante da coletividade traz inúmeras ideias neste sentido. Alguns exemplos: 



O liberal é humilde. Reconhece que o mundo e a vida são complicados. A única coisa de que tem certeza é que a incerteza requer a liberdade, para que a verdade seja descoberta por um processo de concorrência e debate que não tem fim. O socialista, por sua vez, acha que a vida e o mundo são facilmente compreensíveis; sabe de tudo e quer impor a estreiteza de sua experiência – ou seja, sua ignorância e arrogância – aos seus concidadãos.
Raymond Aron

 "Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta, é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade." 
Adam Smith

"O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir." 
Adam Smith

A fraternidade forçada destrói a liberdade.” 
Frederic Bastiat

“E o que são nossas faculdades senão um prolongamento de nossa individualidade? E o que é a propriedade senão uma extensão de nossas faculdades?.” 
Frederic Bastiat

“Ora, sendo o trabalho em si mesmo um sacrifício, e sendo o homem naturalmente levado a evitar os sacrifícios, segue-se daí que - e a história bem o prova - sempre que a espoliação se apresentar como mais fácil que o trabalho, ela prevalece.”
Frederic Bastiat


“A geração de hoje cresceu num mundo em que, na escola e na imprensa, o espírito da livre iniciativa é apresentado omo indigno e o lucro como imoral, onde se considera uma exploração dar emprego a cem pessoas, ao passo que chefiar o mesmo número de funcionários públicos é uma ocupação honrosa.” 
Frederic Hayek

“No meu dicionário, 'socialista' é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros...” 
Roberto Campos

“Os esquerdistas, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado.”
Roberto Campos

 E por fim a frase que melhor define o pensamento liberal e o seu altruísmo fundamentado no respeito ao próximo como a si próprio: 

Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.
Voltaire



 O individualista é altruísta por necessidade. Uma motivação mais genuína e sólida, baseada em exigir e oferecer ao próximo o mesmo que exige e oferece a si mesmo. Como ficou explícito na frase de Voltaire, individualistas compreendem que seu direito de auto-respeito, auto-suficiência e auto-perpetuação somente pode ser garantido, se o de todos os outros também forem. 

Leia também: 

Posts Polêmicos 1: O indivíduo Massacrado
Posts Polêmicos 2: Como me tornei responsável pela pobreza alheia

E você, o que pensa? Deixe seu comentário!


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domingo, 13 de abril de 2014

Posts Polêmicos 2: Como me tornei Responsável pela Pobreza alheia.



A culpabilização do indivíduo é a maneira que os coletivistas utilizam para constranger as pessoas.


Enquanto um vive de pedir de quem tem.
O outro trabalha para ter e poder doar ao que não tem.
O indivíduo é culpado por todas as mazelas da sociedade. É o egoísmo que se manifesta na busca pelo auto-respeito, a auto-suficiência e a auto-perpetuação que provoca a miséria alheia. 

Os coletivistas se valem do constrangimento para impor suas vontades. O método mais comum é o uso da culpa. Uma vez que não são capazes de tomar o que o outro tem na marra, optam por utilizar uma forma mais sutil para fazê-lo. Ao culpar os ricos pela pobreza dos pobres, os coletivistas conseguem arrancar verdadeiras fortunas (na forma de impostos ou doação filantrópica).

O indivíduo então é levado a crer que o seu sucesso traz danos para a sociedade, os quais é sua obrigação amenizar. É óbvio, que isto contradiz a verdade e a lógica. O fato de alguém tornar-se rico não torna o outro imediatamente um pobre. A realidade é exatamente oposta: cada novo rico tira várias pessoas da pobreza junto consigo. 

O efeito da ação dos coletivistas é tirar do indivíduo a responsabilidade pelos seus atos. A sociedade é a responsável por tudo, logo, ninguém é mais responsável por nada. Os problemas passam a ser atribuídos a outrem. A pobreza não é culpa do pobre, é do rico com sua ganância e cobiça. A violência não é mais culpa do bandido que a pratica, é da vítima que desfila com produtos de marca num país onde tantos passam fome. E, assim, a sociedade que os coletivistas criam é baseada na vitimização de um e na culpa do outro.

As sociedades coletivistas acabam por empobrecer. Pois, os incentivos para o enriquecimento são retirados dos dois lados: de quem não tem e de quem já tem. Como a riqueza torna-se algo negativo, cria-se na sociedade uma espetaculização da pobreza. Os pobres que vivem em comunidades, onde todos supostamente ajudam a todos, tornam-se o estilo desejado de vida. As favelas ou comunidades tornam-se o lugar mais feliz do mundo e a felicidade parece ter escolhido ali para viver. Por outro lado, os ricos são solitários, tristes, isolados do resto do mundo por muros, carros blindados, encastelados em condomínios fechados. 

Apesar do empobrecimento óbvio de sociedades coletivistas é muito difícil escapar desta armadilha. O coletivismo se retroalimenta dos problemas que ele próprio cria. A falta de responsabilização do indivíduo, sempre vítima da sociedade, estimula, entre outras coisas a violência. E quanto mais violência há nas ruas, mais culpa é atribuída aos ricos, por ostentarem a sua riqueza. A pobreza de uma forma geral recebe o mesmo tratamento. Quanto mais pobre a sociedade vai ficando, mais os coletivistas afirmam que a culpa é dos que tem e que eles deviam doar mais e mais para quem não tem. Num ciclo sem fim em que todos perdem.


As sociedades mais individualistas são também as mais ricas e mais prósperas. Não é difícil entender o porque. Quanto mais pessoas buscam a riqueza, mais rica será esta sociedade. O indivíduo que assume a responsabilidade por sua própria vida, sem culpar seus fracassos aos outros, sabe que somente o seu próprio trabalho pode lhe proporcionar o sucesso que almeja. A riqueza e a pobreza em sociedades individualistas não são sentenças para a vida, mas, condições de momento, totalmente reversíveis. 


O coletivismo, este sim é excludente. Ao dividir a sociedade entre vítimas e culpados, os coletivistas colocam as "vítimas" numa posição de impotência, em que os problemas da sua vida somente poderiam ser resolvidos se os "culpados" não tivessem o que tem. Criam-se assim uma legião de vítimas, condenadas a permanecerem na pobreza, pois, foram moralmente desestimuladas a buscar a riqueza por meios próprios, obrigadas a aguardar a providência divina, a ação do governo, ou a benevolência dos ricos. Por outro lado, os "culpados" são movidos, ainda que com culpa, pela necessidade de auto-satisfação e continuam a buscar riqueza. Aumentando a distância entre uns e outros. 



Os coletivistas tem nesta sociedade a sua situação ideal. Pois, fortalecidos pela massa de "excluídos" que eles próprios criam, podem de um lado manipular esta massa, e do outro, utilizar sua força coletiva para cobrar dos "incluídos". 



É dever dos indivíduos, imbuídos de auto-realização não se deixar dobrar pela ação nefasta destes coletivistas. Não se permitirem sentir-se culpados pelo seu sucesso, e reconhecerem que a sua busca por riqueza, é responsável por tornar todo o conjunto da sociedade também mais rico. A pobreza tanto quanto a riqueza são responsabilidade de cada indivíduo. Ainda que nem todos que almejem a riqueza poderão alcança-la em sua plenitude, ainda assim, o resultado desta busca será já uma contribuição.


Uma sociedade forte é feita de indivíduos fortes, capazes de determinar os seus próprios caminhos e destino, responsáveis pelos seus atos e que utilizem as suas capacidades não para tirar riqueza de quem a possui, mas, para criar a sua própria. Os coletivistas insistirão na culpa, mas, o que esperar daqueles que passam toda uma vida movidos por um sentimento de inveja, em usufruir das coisas de quem tem, sem esforço para obtê-lo?

Leia também:
Posts Polêmicos 1: O indivíduo Massacrado
Posts Polêmicos 3: O indivíduo que pensa em seu bem-estar pessoal é mais altruísta

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sábado, 12 de abril de 2014

Posts Polêmicos 1: O Indivíduo Massacrado.

O indivíduo nunca esteve tão massacrado no Ocidente como está agora. Pensar em si é motivo de culpa e vergonha. 




O indivíduo nunca esteve tão massacrado no Ocidente quanto ele está agora. Se você se põe em primeiro lugar você é um monstro egoísta que deve ser execrado. O sucesso não te pertence e você tão pouco é merecedor dele. Por isto, a menos que tenha a humildade(?) de atribuir tudo o que tem aos outros, você não presta. 
O indivíduo massacrado.

Sei que esta introdução não foi das mais agradáveis. Foi até bastante ameaçadora. Infelizmente, é a realidade dos nossos tempos. Vivemos numa época em que a única qualidade aceitável para um indivíduo é a humildade (na verdade subserviência). Andar na rua de cabeça erguida demonstrando orgulho? Jamais. É preciso caminhar entre a multidão de cabeça baixa, nunca comemorar o seu sucesso, principalmente próximo de pessoas que fracassaram. 

É a busca da sociedade igualitária. Mas, uma sociedade igualitária não é uma sociedade em que todos são iguais. É uma sociedade em que o menos capaz se apropria das conquistas do mais capaz. Este igualitarismo, é sempre o grito do mais fracos que por serem maioria, usa de sua força coletiva para tirar proveito daquele indivíduo que se destacou. Os defensores deste tipo de sociedade nunca propõem acrescentar eles algo ao bolo, a sua luta é para que aquele que se destaca "doe" um pedaço do que conquistou.

Estamos criando uma sociedade em que a inveja vira virtude. Os invejosos que vivem a exigir que se tire de quem tem, passam a ser vistos como pessoas altruístas, que pensam no bem da comunidade. Estão apenas manifestando a sua inveja, a sua indisposição para o trabalho e para enfrentar o árduo caminho do sucesso. 

O indivíduo e os seus objetivos de auto-respeito, auto-suficiência e auto-perpetuação são vistos como reprováveis. Ao tempo em que, apenas os interesses coletivos (grupo, comunidade, sociedade) são legítimos e moralmente superiores. Para tanto, deturpam a definição de capitalismo, transformado em responsável por todas as mazelas do mundo.

Acontece, que estes coletivistas não percebem que travam a própria autodestruição. Suas motivações são imediatistas, de curto prazo. Ignoram uma visão de futuro, por uma satisfação das necessidades presentes. Destroem possibilidades de ganhos maiores e mais sólidos lá na frente, para uma satisfação incompleta e paliativa no presente.

Nada mais é feito para ser duradouro, pois, tudo é feito pensando no imediato. As finanças, as políticas, a educação, as relações sociais, as relações amorosas, a arte. E, como tudo é feito para satisfazer o indivíduo médio em sua necessidade urgente, então a qualidade de todas as coisas decresce. Uma combinação ruinosa de imediatismo e mediocridade que explica a baixa qualidade das coisas no presente. O governo faz políticas pensando não nas gerações futuras, mas, para atender as necessidades mais imediatas da população, visando as eleições. As artes deixam de ser criadas para a posteridade, tornam-se descartáveis, recicláveis e esquecíveis, tudo o que possa ser consumido rapidamente pelo consumidor "padrão". 

O indivíduo massacrado, não encontra mais seu espaço na sociedade, ou adere a mediocridade da massa da população, ou é execrado. Mas, na prática, acontece que os indivíduos mais habilidosos se apoderam das massas, e em se igualando a ela, usam do seu poder individual para manipulá-la. A política passa a ser dominada por representantes que parecem ser um "de nós", do povo, mas, que uma vez no poder o usará para benefício próprio. Artistas se aproveitam para fazer fortunas, lançando no mercado obras completamente descartáveis, sob alcunha de ser "do povão", o chamado "hit do momento" ou "tá na boca do povo" - aqueles que dançam o lepo lepo, recordam que dançaram o ziriguidum ano passado, e o rebolation há poucos anos.

Enquanto este massacre do indivíduo perdurar, aqueles que acreditam estar se beneficiando do coletivismo em todas as suas formas (socialismo, comunismo, social capitalismo, etc.) serão os grandes prejudicados. Tenderão a conservar a sua posição de mediocridade pelo resto da vida, vivendo da satisfação imediata, proporcionada exatamente pelos indivíduos de destaque e se escorando na proteção da massa. Para estes tudo aquilo que o indivíduo precisa é apresentado como desprezível, ruim e desnecessário. A relembrar: a busca do auto-respeito, da auto-suficiência e da auto-perpetuação.


Leia também:
Posts Polêmicos 2: Como me tornei responsável pela pobreza alheia
Posts Polêmicos 3: O indivíduo que pensa em seu bem-estar é mais altruísta

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domingo, 6 de abril de 2014

O que se vê e o que não se vê - I

Há pelo menos 4 anos, o nosso ministro da economia promete crescimentos do PIB que nunca se confirmam. Ele não se contenta, e o Brasil fica a lamentar a ausência de um bom economista cuidando de nossa economia.


Já comentei aqui que estou lendo Frederic Bastiat, um dos grandes filósofos do pensamento liberal. Ele nos ensina que em economia: "um ato, um hábito, uma instituição uma lei, não geram somente um efeito, mas, uma série de efeitos. Dentre esses, somente o primeiro é imediato. Manifesta-se simultaneamente com a sua causa. É visível. Os outros só aparecem depois e não são visíveis. Podemos-nos dar por feliz se formos capazes de prevê-los". Ainda, segundo Bastiat, um mau economista é aquele que se detém no que se vê. O bom economista é aquele atento tanto ao que se vê quanto aquilo que se deve prever. 

E essa é diferença tem grandes consequências. Pois, quase sempre quando o efeito imediato é favorável, logo os seus efeitos posteriores são ruins. E vice-versa. O mau economista quando se dedica a obter pequenos benefícios no presente, está plantando a semente de um grande problema no futuro. No oposto, o bom economista ao buscar bom frutos no futuro, pode ser obrigado a provocar um pequeno mal no presente. 

A milhares de anos aprendemos a lidar com o fogo.
Esta tem sido a história da humanidade. No começo, quando pouco conhecíamos do mundo, não éramos capazes de prever o mal que um ato poderia causar. Foi preciso colocar a mão no fogo para descobrir que queima. Mas, o tempo nos concede dois mestres para ensinar-nos a lição: a experiência e a previdência. A experiência é mais dolorosa, ela nos faz passar por todo o sofrimento de uma decisão errada para sabermos que não devemos repeti-la. Por outro lado, quase sempre é possível contar com o mestre mais delicado: a previdência. Escolhemos ser guiados pela previdência quando observando o que se vê dedicamos esforço para tentar encontrar o que não se vê. 

Uma Presidente economista, e um Ministro da Fazenda economista. Basta? 


Não. Infelizmente, nos dois cargos mais altos do país, temos hoje dois economistas. Mas, como bem definiu Bastiat, dois maus economistas. 

Ainda em 2002, quando os mercados mostraram grande temor com a provável eleição de Luis Inácio Lula da Silva, ele decidiu acalmar a todos lançando A Carta ao Povo Brasileiro, uma declaração de compromisso com as acertadas políticas econômicas do seu antecessor. Para comandar a economia escalou Henrique Meirelles para o Banco Central, um renomado banqueiro com prestígio internacional. E na Fazenda escalou Antônio Palloci, um médico de formação. 

A dupla Palloci-Meirelles surpreenderam o mercado ao aprofundarem a política econômica do governo anterior. Impondo um maior controle fiscal na Fazenda e um combate firme da inflação no Banco Central. O trabalho conjunto de ambos, possibilitou o Brasil construir as bases para o crescimento nos anos seguintes. Havia ali um clima propício para que as reformas previdenciária, tributária e trabalhista, tão necessárias para o futuro do país fossem feitas, e até se iniciou o processo para implanta-las. 

Infelizmente, Antônio Pallocci estava envolvido em suspeitas de ilícitos que o derrubaram do governo. O que é bom no Brasil dura pouco, dizem. E assumiu então, aquele que é hoje, inexplicavelmente, o mais longevo Ministro da Economia brasileiro, Guido Mantega. Durante o governo Lula, Mantega esteve sob controle, não só do próprio presidente, mas, porque a permanência de Henrique Meirelles no Banco Central representava um freio em suas pretensões desenvolvimentistas. 

O desastre então se completou quando a também economista Dilma Rousseff foi eleita presidente da República, e Meirelles depois de 8 anos decidiu seguir outros caminhos. Mantega tratou de pôr no lugar alguém de sua confiança. leia-se que não pudesse se impor aos seus devaneios. Foi alçado então à presidência do Banco Central, Alexandre Tombini. 

Sem um opositor no Banco Central, e com a conveniência de ter uma Presidente alinhada com suas ideias, Guido Mantega começou a impor ao Brasil as suas ideias econômicas. Ideias que são um lixo, por já terem sido comprovadas pela experiência, como tal. Alguns parecem não aprender nunca. 
Dilma e Guido: pena que não está ali a ler Bastiat.

Desde 2011, quando a Dilma Rousseff assumiu Guido tem mandado na economia. Entra ano e sai ano ele nos brinda com uma previsão de crescimento que nunca se confirma. Entra ano e sai ano e nossa economia se deteriora. Em 2014, em apenas 4 anos, o Brasil conseguiu ter sua nota rebaixada pela agência de risco Standard & Poors. 

Guido Mantega e sua chefe são dois economistas definitivamente ruins. Desde que assumiram o governo não se houve falar mais no futuro do país, tudo se resume ao curto prazo, ao PIB do ano seguinte e a próxima eleição. Cegos para prever aquilo que não se vê. Tem implantado uma série de medidas que parecem boas no presente, mas, que deixaram um problema enorme para o futuro, talvez já para o próximo governante. 

Tivessem a dupla, um mínimo de disposição para ler Bastiat, saberiam que não se pode baixar os juros por meio de decreto, pois, dispara a demanda, elevando a inflação. No início deste ano tiveram que voltar atrás, e os juros da Dilma já são maiores do que os que recebeu. Também saberiam que segurar o aumento de tarifas públicas ou baixa-las artificialmente, pode ser bom no presente, mas, é uma bom que se arma, e seu efeito é tão pior quanto mais o tempo passa. O represamento dos preços da gasolinas, dos transportes públicos, da energia, forçará no futuro a um grande aumento de uma só vez, o que será muito mais doloroso do que pequenos aumentos sucessivos. Da mesma forma, saberiam que incentivar por muito tempo a compra de carro próprio, sem investimento semelhante em mobilidade, levaria ao congestionamento de nossas cidades. 

E aí está. Bastiat escreveu seus livros há mais de 150 anos. Sem todos os recursos e conhecimentos que temos hoje, previu aquilo que nosso Ministro da Fazenda e a Presidente da República não conseguem enxergar bem diante de seus narizes. 

E vocês eleitores brasileiros. Estão preocupados apenas com aquilo que se vê ou já perceberam que mais 4 anos desta dupla dinâmica que nada enxerga trará efeitos nefastos para o país? 

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Livro: Frederic Bastiat

Frederic Bastiat foi um dos grandes filósofos liberais do séc. XIX. Francês, nasceu em 1801 na cidade de Bayone, sudoeste da França, próximo à fronteira com a Espanha, uma cidade portuária. 
Bastiat

Bastiat alertava aos franceses para: "Não esperar senão duas coisas do Estado: Liberdade e Segurança, e ter bem claro que não se poderia pedir mais uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas". 

Infelizmente, Bastiat, que era deputado, era uma voz solitária no parlamento francês, oprimida pela demagogia dos Construtivistas e Protecionistas. Os franceses pediram então mais do que uma terceira coisa ao Estado. No calor da época, ceder à sedução e a confusão dos vendedores de facilidades públicas parecia inevitável. Mas, hoje, apenas podemos observar o final a que conduziu.

A obra de Bastiat acabou sendo esquecida na França, mas, fez grande sucesso no exterior, especialmente nos Estados Unidos, que ficaram responsáveis por relembrar aos franceses de seu grande compatriota. Reimpressos em 1893 em francês por Florin Aftalion, este diz: "que não se trata somente de reparar uma injustiça, mas, sobretudo de mostrar que as ideias de um dos mais ferrenhos, defensores do liberalismo conservaram até hoje sua atualidade e pertinência. Que o autor se tenha, por vezes, enganado ao se aventurar na teoria pura, que seu estilo pareça bem marcado por sua época e que seu tom traia a ingenuidade de um espírito por demais íntegro, pouco importa".

Ainda que não devamos querer resolver todos os problemas de hoje com os preceitos do  século retrasado. O que deve ser visto é que ao contrário do que os opositores afirmam, o pensamento liberal não se encerra em receitas econômicas. O que torna o liberalismo sempre atual é seu respeito pelas leis naturais que regulam os processos da vida, incluído aí os fatores econômicos, mas, também os sociais. Tais leis são evidentes, e por mais que o mundo se transforme a cada segundo, elas permanecem imutáveis.

Você pode ler o livro online na Biblioteca do Instituto Ludwig Von Mises



Poderá também compra-lo na loja online.
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quinta-feira, 27 de março de 2014

A diferença básica entre Socialismo x Capitalismo

Apesar de serem confrontados como opostos o Capitalismo e o Socialismo são dois sistemas com naturezas completamente diferentes. 


Quem é o pai ou fundador ou criador ou pensador pioneiro do Socialismo? Você certamente sabe a resposta: Karl Marx. E o seu grande parceiro e responsável por viabilizar toda a empreitada, porém, menos conhecido Friedrich Engels. 
Karl Marx e Engels

E o pai ou fundador ou criador ou pensador pioneiro do Capitalismo? Não existe. E esta é a diferença básica entre os dois sistemas. O capitalismo não é um sistema pensado por ninguém, criação de uma mente humana ou obra de um conselho de iluminados. O Capitalismo é um sistema natural que existe independente da vontade humana.

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segunda-feira, 10 de março de 2014

A Construção da América.

É revelador da visão de si que os dos Estados Unidos possuem quando se observa que em seus livros de História não se fala em Descobrimento, mas, em Construção da América. 

A colônia portuguesa nas Américas, o Brasil, durante muitos anos ocupou o lugar de região mais rica do Novo Mundo. A cidade do Salvador, enquanto capital da colônia, chegou a ser a cidade mais importante do mundo fora da Europa. Éramos mais ricos que os Estados Unidos. Por aqui, se erguiam verdadeiros palácios, enquanto por lá eram erguidos casebres de madeiras. 

Mas, o tempo passou. Nasceram naquele país homens que dedicaram as suas vidas a construir uma nação. E tiveram êxito. 

O History Channel lançou a série Gigantes da Indústria, a história dos construtores da América. São 8 episódios, disponíveis a seguir:

Episódio 01 - "Começando outra guerra". Apenas 5 dias após o fim da Guerra Civil americana, o presidente Abraham Lincoln é assassinado no interior de um teatro. Acreditava-se ali que a democracia americana era um experimento falido. Mas, na realidade uma nova era estava apenas começando. 


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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

No fundo foi e sempre será: Capitalistas x Consumistas

Dicotomia Socialismo x Capitalismo é falsa, no fundo sempre será Capitalistas x Consumistas.


O lado coroa da moeda: Socialismo do século 21 na Venezuela, refundação da nação na Bolívia, a volta da crise econômica à Argentina, o Brasil do futuro continua no futuro. O lado cara da moeda: Colômbia apontada como melhor país para se investir na América Latina, o México se torna o novo queridinho dos mercados, Chile segue o país mais desenvolvido da região.

As disputas ideológicas entre capitalismo e socialismo não abandonam a América Latina. Enquanto, no restante do mundo a notícia da queda do muro de Berlim e o fim da socialista União Soviética (URSS) já chegou há duas décadas, aqui, na porção caliente da América ainda sonhamos com o mundo igualitário, onde a propriedade privada não mais existe, e todos são felizes porque o governo tudo proverá.
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