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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Livro: Como a Economia cresce e porque ela Quebra



O livro dos irmãos Schiff é uma divertida aula sobre economia. Com ilustrações de Brendan Leach ninguém terá mais desculpas para não entender esta "obscura ciência" que na verdade é muito mais simples do que a maioria das pessoas - e dos próprios economistas - pensa. 

De maneira lúdica o autor mostra a importância da poupança e do risco para o crescimento econômico. Revela ainda a origem da inflação, das bolhas econômicas e revela como as crises recorrentes no último século foram provocadas por governos perdulários. Incluída aí a crise de 2008.

O livro ensina tudo que alguém precisa saber sobre o crescimento econômico. E tem o mérito de pela primeira vez tornar o estudo da Economia numa experiência agradável. 

Livro altamente recomendável.
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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Livro: Teoria e História - O monumental Ludwig Von Mises

Adquira o livro clicando na imagem acima


Ludwig von Mises publicou diversos livros e artigos em sua longa e produtiva vida, e cada um deles foi responsável por contribuições importantes à teoria e à aplicação das ciências econômicas.  No entanto, entre eles, quatro colossais obras-primas se destacam, monumentos imortais à obra do maior economista e cientista da ação humana de nosso século.

O primeiro, que colocou Mises no primeiro escalão dos economistas, foi The Theory of Money and Credit (1912), que pela primeira vez integrou a teoria da moeda com a teoria dos preços relativos, e serviu como base para sua teoria posterior do ciclo econômico. A segunda grande obra de Mises foi Socialism (1922), que forneceu a crítica mais completa, abrangente e definitiva do socialismo, e demonstrou que uma ordem socialista não era capaz de calcular economicamente. A terceira foi seu estupendo tratado Ação Humana (1949), que propôs toda uma estrutura econômica e analítica do agente homem.

Todas estas três obras deixaram sua marca na economia, e fizeram parte do renascimento "austríaco" que floresceu ao longo da última década.

A quarta e última grande obra de Mises, no entanto, Teoria e História (1957; clique no link para ler o livro gratuitamente), teve um impacto notavelmente menor, e raramente foi citada, mesmo pelos jovens economistas do recente renascimento austríaco. Ela continua a ser a obra-prima mais negligenciada de Mises.  E, ainda assim, esta é exatamente a obra que aprofunda o suporte filosófico e a elaboração da filosofia que formam as fundações deAção Humana.  Esta é a grande obra metodológica de Mises, que explica a base da sua visão da economia, e apresenta críticas brilhantes a alternativas falaciosas, como o historicismo, o cientificismo e o materialismo dialético marxista.

É possível inferir que, apesar de sua grande importância, Teoria e História não tenha deixado sua marca porque, nesta época de cega especialização acadêmica, a ciência econômica não teria relação alguma com nada que flertasse com a filosofia. Certamente, a hiper-especialização tem o seu papel.  No entanto, nos últimos anos, o interesse na metodologia e nas fundações básicas da economia vem aumentando, e poderíamos imaginar que ao menos os especialistas deste campo teriam, nesta obra, muito a discutir e absorver.  Ademais, é de se esperar que os economistas não estejam tão absortos em seu jargão e em sua forma confusa de escrever a ponto de não serem capazes de apreciar a prosa lúcida e brilhante de Mises.

É provável, no entanto, que a falta de atenção dada a Teoria e História tenha mais a ver com o conteúdo de sua mensagem filosófica.  Embora muitas pessoas tenham consciência da batalha longa e solitária que Ludwig von Mises travou contra o estatismo, e a favor do laissez-faire, poucos se dão conta de que entre os economistas há uma resistência muito maior à metodologia de Mises do que às suas posições políticas.  A adesão ao livre mercado, afinal, não é tão incomum, atualmente, entre os economistas (embora ela não ocorra com a consistência imperturbável de Mises), mas poucos estão prontos a adotar o método distintivamente austríaco que Mises sistematizou e denominou de "praxeologia".
No cerne de Mises e da praxeologia está o conceito com o qual ele inicia, apropriadamente, Teoria e História: o dualismo metodológico, a percepção crucial de que os seres humanos devem ser considerados e analisados de uma maneira e com uma metodologia que difere radicalmente da análise das pedras, planetas, átomos ou moléculas.  Por quê?

Porque, pura e simplesmente, está na essência dos seres humanos o fato de que eles agem, de que eles têm metas e propósitos, e que tentam atingir estas metas.  Pedras, átomos e planetas não têm metas ou preferências; logo, não escolhem entre diferentes meios de agir.  Os átomos e planetas se movem, ou são movidos; não podem escolher, selecionar entre diferentes cursos de ação, ou mudar de ideia.  Homens e mulheres podem.

Logo, átomos e pedras podem ser investigados, seus percursos mapeados, e seus caminhos traçados e previstos, ao menos em princípio, até os mais diminutos detalhes quantitativos.  Já as pessoas não; todos os dias as pessoas aprendem, adotam novos valores e metas, e mudam de ideia; as pessoas não podem ser classificadas e previstas como  podem ser os objetos desprovidos de mente e que não têm a capacidade de aprender e escolher.
E agora podemos ver por que a profissão da economia resistiu de maneira tão intensa à abordagem básica de Ludwig von Mises.  Pois a ciência econômica, tal como outras ciências em nosso século, abraçou o mito daquilo que Mises se referia com desprezo e propriedade como "cientificismo" — a ideia de que a única abordagem verdadeiramente "científica" ao estudo do homem é a de imitar a abordagem das ciências físicas, em especial o seu ramo mais prestigioso, a física.

Logo, para se tornar verdadeiramente "científica", como a física e as outras ciências naturais, a economia deve desprezar conceitos como propósitos, metas e aprendizado; deve abandonar a mente humana e escrever apenas sobre meros eventos.  Ela não pode falar sobre alguém mudar de ideia, porque ela deve sustentar que os eventos são previsíveis, uma vez que, nas palavras do lema original da Sociedade Econométrica, "ciência é previsão".  E, para se tornar uma ciência "séria" ou "real", a economia não deve tratar os indivíduos como criaturas únicas, cada qual com suas próprias metas e escolhas, mas como partes de "dados", homogêneos e, por consequência, previsíveis.

Um dos motivos pelo qual a teoria econômica ortodoxa sempre teve grande dificuldade com o conceito crucial do empreendedor é o fato de que cada empreendedor é clara e obviamente único; e a economia neoclássica não consegue lidar com essa qualidade do que é único em cada indivíduo.

Além do mais, alega-se que a ciência "real" deve operar com base em alguma variante do positivismo. Assim, na física, o cientista se depara com diversas amostras homogêneas e uniformes de eventos, que podem ser investigadas em busca de regularidades e constantes quantitativas — como, por exemplo, a velocidade com a qual os objetos caem em direção à Terra.  Os cientistas, então, moldam hipóteses que expliquem as diferentes classes de comportamentos ou movimentos, e a partir daí deduzem diversas proposições por meio das quais ele pode "testar" a teoria ao compará-la com os fatos sólidos e empíricos, com estas partes observáveis dos eventos. (Assim, a teoria da relatividade pode ser testada quando certas características empiricamente observáveis de um eclipse podem ser checadas.)

Na variante Positivista Antiga, essa teoria era "verificada" por meio de uma checagem empírica; no neopositivismo mais niilista de Karl Popper, ele pode apenas "falsear" ou "não falsear" uma teoria por meio deste método.  De qualquer modo, suas teorias sempre devem ser expostas de maneira incerta, e nunca podem, pelo menos não oficialmente, ser aceitas como totalmente verdadeiras; pois ele sempre poderá descobrir que outras teorias alternativas são capazes de explicar classes mais abrangentes de fatos, ou que alguns fatos novos podem contrariar ou provar o erro de uma teoria. O cientista deve sempre vestir, ao menos, a máscara da humildade e da cabeça aberta.

Porém, foi a genialidade de Ludwig von Mises que constatou que a sólida ciência econômica jamais procedeu desta maneira, e foi também Mises quem elaborou os bons motivos para explicar este fato curioso. Houve muitas confusões desnecessárias a respeito do uso um tanto idiossincrático por parte de Mises do termo a priori, e os entusiastas dos métodos científicos modernos foram capazes de utilizá-lo para desprezá-lo como um mero místico não-científico.

Mises viu que os estudantes da ação humana estão, ao mesmo tempo, numa condição melhor e pior (e, certamente, diferente) em relação aos estudantes das ciências naturais. O cientista físico olha para as amostras homogêneas de eventos, e busca até conseguir encontrar e testar teorias explanatórias ou causais para aqueles eventos empíricos.  No entanto, na história humana, nós, na qualidade de seres humanos, estamos na posição privilegiada de jásabermos a causa dos eventos; mais especificamente, o fato primordial de que os seres humanos têm metas e propósitos e agem de modo a atingi-los. E este fato não é conhecido de maneira hesitante, por meio de tentativas, mas sim de maneira absoluta e apodítica.

Um exemplo que Mises gostava de utilizar em suas aulas para demonstrar a diferença entre duas maneiras fundamentais de se abordar o comportamento humano era observar o comportamento humano na Grand Central Station de Nova York durante a hora do rush.  O behaviorista "objetivo" ou "verdadeiramente científico", dizia Mises, observaria os eventos empíricos: por exemplo, as pessoas que iam apressadamente de um lado para o outro, sem rumo, durante horários previsíveis do dia. E isto era tudo que ele concluiria daí.  Já o verdadeiro estudante da ação humana iria partir do fato de que todo comportamento humano tem algum propósito, e ele veria que o propósito, neste caso, seria sair de casa para pegar o trem de manhã para trabalhar, e o contrário à noite, para voltar para casa.  É óbvio qual deles conseguiria descobrir e saber mais sobre o comportamento humano, e, por consequência, qual seria o "cientista" genuíno.

É a partir deste axioma, a partir do fato de que a ação humana é propositada, que se deduz toda a teoria econômica; a ciência econômica explora as implicações lógicas do fato universal da ação.  E como sabemos com toda a certeza que a ação humana é propositada, sabemos com a mesma certeza as conclusões em cada passo da cadeia lógica.  Não há necessidade de se "testar" esta teoria, pois já se sabe de antemão que tal conceito faz tanto sentido neste contexto.

A existência da ação humana propositada é "verificável"?  Ela é "empírica"?  Sim, porém certamente não da maneira precisa ou quantitativa que os imitadores da física estão acostumados.  O empiricismo é amplo e qualitativo, e é derivado da essência da experiência humana; ele não tem nada a ver com estatísticas ou eventos históricos.  Além disso, ele depende do fato de que somos todos seres humanos e podemos, portanto, utilizar este conhecimento para aplicá-lo a outros da mesma espécie.  O axioma da ação propositada é ainda mais difícil de ser "falseado"; ele é tão evidente, uma vez que tenha sido mencionado e ponderado, que claramente passa a constituir o próprio cerne de nossa experiência no mundo.

E é desta mesma maneira que a teoria econômica não precisa ser "testada", pois é impossível testá-la de alguma maneira ao se contrapor suas proposições a amostras homogêneas de eventos uniformes; pois não existem tais eventos.  O uso de estatísticas e dados quantitativos pode tentar mascarar este fato, porém sua aparente precisão tem como base apenas eventos históricos que não são homogêneos em nenhum sentido da palavra. Cada evento histórico é uma consequência complexa e única de diversos fatores causais. Como é único, não pode ser usado para um teste positivista, e como é único não pode ser combinado com outros eventos na forma de correlações estatísticas para que se obtenha qualquer resultado significativo.

Ao se fazer uma análise de um ciclo econômico, por exemplo, não é legítimo tratar cada ciclo como sendo estritamente homogêneo a todos os outros, e, por consequência, adicionar, multiplicar, manipular e correlacionar dados.  Por exemplo, fazer uma média de duas séries cronológicas, e proclamar com orgulho que a Série X tem uma média de quatro meses de avanço quando comparada à Série Y numa determinada fase do ciclo não significa praticamente nada; afinal, (a) nenhuma outra série cronológica irá necessariamente apresentar essa mesma defasagem de quatro meses, e as defasagens podem e deverão variar grandemente; e (b) a média de qualquer série passada não terá relevância aos dados do futuro, que terão suas próprias diferenças imprevisíveis em relação aos ciclos anteriores.

Ao demolir a tentativa do uso de estatísticas para emoldurar ou testar teorias, Ludwig von Mises foi acusado de ser um teórico puro, sem interesse ou respeito pela história.  No entanto, o que ocorre é justamente o contrário, e este é o tema central de Teoria e História: são os positivistas e behavioristas que não têm respeito pelo fato histórico único, ao tentar comprimir estes eventos históricos complexos no molde procrusteano dos movimentos de átomos ou planetas.

Nos assuntos humanos, um evento histórico complexo em si precisa ser explicado por diversas teorias, na maior quantidade de vezes possível; porém, ele nunca pode ser determinado completamente, nem com precisão, por meio de qualquer teoria.  O constrangedor fato de que as previsões dos supostos vaticinadores econômicos sempre tiveram um histórico desastroso, especialmente aqueles que tentaram atingir uma precisão quantitativa, é justificado pela economia tradicional com a necessidade de se aperfeiçoar ainda mais este modelo e tentar novamente.  Foi Ludwig von Mises quem, melhor do que qualquer outro, reconheceu a liberdade, da mente e de escolha, existente no cerne irredutível da condição humana, e que percebeu, portanto, que a necessidade científica do determinismo e da previsibilidade total é uma busca pelo impossível — e, logo, altamente não-científica.

Entre alguns dos austríacos mais jovens, uma falta de vontade de desafiar a ortodoxia metodológica em vigor levou à adoção pura e simples do positivismo ou ao abandono total da teoria em troca de um institucionalismo vagamente empírico.  A imersão em Teoria e História ajudaria ambos os grupos a perceber que a teoria verdadeira não está dissociada do mundo do agente homem, real, e que é possível abandonar os mitos cientificistas ao mesmo tempo em que se usa o aparato da teoria dedutiva.

A Economia Austríaca só experimentará um renascimento genuíno quando os economistas lerem e absorverem as lições vitais desta obra, infelizmente tão negligenciada. Sem a praxeologia, nenhuma ciência econômica pode ser genuinamente sólida. 


Você pode comprar o livro aqui. Ou ler a versão ebook grátis aqui. 
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sexta-feira, 11 de julho de 2014

O Aborto como solução para o Crime.

O livro Freaknomics é muita coisa, menos uma análise politicamente correta dos fatos de nosso dia-a-dia. Com dados e conclusões levantadas pelo economista Steven D. Levitt e textos escritos pelo jornalista Stephen J. Dubner, em um dos capítulos o livro aponta que a legalização do aborto tem impacto positivo nos índices de criminalidade. 


O livro do economista e do jornalista americano trata de diversos temas ligados ao nosso cotidiano, com uma visão fora do senso comum. No Capítulo 4 deste best-seller você encontra a pergunta: Onde foram parar todos os criminosos? É um capítulo que estuda a queda vertiginosa da violência nos EUA ocorrida durante a década de 90. Contrariando visões pessimistas e catastróficas que apontavam para um "banho de sangue", como escreveu o criminologista James Alan Fox.

As previsões da catástrofe nunca se confirmaram. No período que os especialistas apontaram que haveria um caos de violência na América foi exatamente aquele em que se viu a criminalidade começar a cair, sem explicação, apenas como se os criminosos tivessem parado de agir. Especialistas como Fox, logo, trataram de se retratar fazendo auto-elogios a si próprio, afirmando que nunca disseram o que haviam dito, e propondo novas explicações para o fenômeno inesperado. 

Várias hipóteses foram levantadas, como a que tornou o chefe de polícia de Nova York, William Bratton famoso. A sua política inovadora de combate ao crime passou a ser elogiada em diversos estudos das mais diferentes áreas do conhecimento. A sua proposta se baseava na teoria da janela quebrada (não confundir com a vidraça quebrada do francês Fredéric Bastiat), dos criminologistas James Q. Wilson e George Kelling. Essa teoria afirma que se um problema pequeno não é logo sanado, ele tende a tornar-se um grande problema. Se uma janela é quebrada e ninguém a conserta, passa a mensagem que outras janelas também podem ser quebradas, e quem sabe o prédio todo pode ser destruído. 

Bratton, então aplicou em Nova York a política da Tolerância Zero. Espalhou policiais pela cidade, e passou a prender pessoas pelos crimes mais simples, como pular a catraca no metrô, urinar na rua, esmolar de forma agressiva. A ideia era que o pequeno bandido de hoje pode se tornar o homicida perigoso amanhã, tal qual uma janela quebrada que não se conserta. No período em que foi implantada, a política inovadora coincidiu com a queda da criminalidade na cidade, e muitos atribuíram a estas medidas o sucesso pelo resultado. Quem parece não concordar muito é o economista Steven Levitt. 

Os dados mostram: A legalização do aborto reduziu as taxas futuras de criminalidade.


Ele vai além da sabedoria convencional para investigar o problema. E demonstra que no restante do país, onde a tolerância zero de Bratton não foi implantada, a violência também regrediu fortemente. De forma, que havia uma razão maior para a queda da violência que não estava sendo apontada por nenhum outro especialista. Os quais apontavam para medidas como aumento do controle de armas, endurecimento das penas atribuídas, maior número de prisões, mais policiais nas ruas, o crescimento da economia, etc.'

Levitt, demonstra que alguns destes fatores, como aumento de policiais e endurecimento de penas, de fato, contribuíram para a queda da violência, mas, ele parece ter sido o primeiro a observar que um evento ocorrido na década de 70, cerca de 20 anos antes da virada no quadro criminal. Trazia a verdadeira resposta do porque, não mais que de repente, a violência iniciou o seu declínio. Foi no caso de Roe x Wade que a Suprema Corte do Estados Unidos estendeu para as mulheres de todo o país o direito ao aborto, alegando que "o prejuízo que o Estado imporia à mulher grávida ao negar tal opção é evidente..."

Segundo, Levitt, a legalização do aborto, impediu que muitas crianças indesejadas viessem ao mundo e engrossassem as filas de criminosos quando beirassem a casa dos 20 anos, época em que o bandido está no ápice de sua forma. Uma vez que a legalização barateou o custo e aumentou a segurança do aborto, ele permitiu que muitas mulheres de classe baixa, jovens adolescentes e com pouca instrução dessem à luz crianças que pelas estatísticas já nasciam com grande probabilidade de tornarem-se criminosas no futuro. Outras pesquisas indicam que uma criança criada num lar com apenas um dos genitores, pais de baixa instrução, adolescentes ou de baixa renda, ou a combinação destes fatores tem muito mais propensão a entrarem para o crime no futuro. 

A mulher que decide pelo aborto normalmente tem consciência de que não poderá manter a criança. Seja, por sua condição econômica desfavorável, por sua imaturidade para criar um bebê, ou porque sabe que seu vício por drogas e álcool podem fazer mal a criança. Um recém-nascido criado num ambiente destes muito provavelmente acabará entrando para o mundo do crime. E, Levitt, em seus estudos demonstrou que a queda inesperada da violência ocorreu exatamente quando os primeiros bebês não nascidos na década de 70 estariam atingindo a idade em torno dos 20 anos, por volta de 1995. 

A correlação apontada por Levitt parecia duvidosa. Mas, novamente indo atrás do dados corretos, o economista mostrou que antes da decisão da Suprema Corte, pelo menos, cinco Estados americanos já haviam autorizado o aborto. Um deles era Nova York. Nestes Estados pioneiros a queda na violência registrada foi ainda maior, cerca de 13%, acima dos demais. Ainda, comparou a queda na violência e o número de abortos em cada Estado. A conclusão foi que naqueles em que houve uma maior incidência de abortos a queda na violência foi 30% maior que naqueles em que menos abortos foram realizados. 

Uma polêmica à esquerda e à direita. Uma discussão para a sociedade

Os resultados apontados por Levitt, por incrível que pareça, desagradaram tanto a esquerda, quanto a direita americana. A esquerda desagradou do fato da pesquisa associar criminalidade à pobreza, como se isto, não fosse um tanto óbvio. A direita conservadora por sua vez, irritou-se ao ver a possibilidade de abortos serem usados como política de combate ao crime. 

O fato é que a pesquisa de Levitt se resume aos dados, sem fazer julgamentos morais. E, de fato, os dados apresentados não podem ser questionados, tampouco a sua lógica. Crianças que nascem no lar desestruturado ou são rejeitados por seus pais apresentam maior tendência a desvios sociais. E, nota-se, por exemplo, que em locais em que o aborto necessita de autorização judicial, as mães que têm o seu pedido negado pelo juiz, normalmente se ressentem da criança que deram à luz, e estas crianças tendem mais ao crime no futuro. 

De fato, uma mulher que decide por um aborto pode está apenas concluindo acertadamente que não terá condições de cuidar daquela criança, e oferecer tudo o que uma mãe deseja a seu filho. Atenção, cuidados, um lar decente, uma estrutura para atender as muitas e caras necessidades e desejos da criança, um companheiro que seja um bom pai, e tantas outras condições necessárias para a boa criação de um filho. Isto, não significa que no futuro ela não pretenda procriar, pode está apenas consciente que o momento atual não é o melhor. 

O que Levitt faz, e devemos ser gratos por seu trabalho é demonstrar os fatos. O aborto, de fato, evitou o nascimento de crianças que em sua maioria cresceriam em condições que favorecem a adesão a uma vida criminosa. E, os dados sobre a violência nos EUA não permitem negar esta correlação entre aborto e criminalidade. Mas, há também questões morais envolvidas, que a sociedade precisa sanar. O próprio Levitt, neste seu livro Freaknomics, demonstra em outras situações que uma solução para um problema pode resultar em novos problemas. 

Legalizar o aborto pode se transformar em um indesejado método para controle de natalidade. Além, de que pode desestimular outras medidas contraceptivas mais seguras, como uso do preservativo, elevando a incidência de doenças sexualmente transmissíveis. A solução poderia ser mais branda, se, por exemplo, fosse evitado a gravidez das mulheres nestes grupos vulneráveis. Aperfeiçoar as políticas contraceptivas, aumentando a eficácia de programas que evitem a gravidez, seria sem dúvida uma solução melhor que o aborto. 

De toda forma, é positivo pesquisadores como Levitt que proporcionam um debate mais racional e menos emotivo. O seu trabalho que normalmente foge sempre da sabedoria convencional, do senso comum, resolve um problema sério das sociedades, que é mais recorrente quanto mais complexa ela se torna, e é que quando você parte de uma premissa equivocada sobre um tema, a conclusão a que se chega também será equivocada. E, com seu trabalho, Levitt nos ajuda a encontrar as causas certas que o senso comum não nos permite encontrar.
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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Leia o excelente Conto que inspirou A Vida Secreta de Walter Mitty

O conto escrito por James Thurber em 1939 sobre um homem sonhador acabou tendo uma grande repercussão nos EUA, entrando inclusive para o vocabulário da língua inglesa. Leia este conto a seguir: 


O filme A Vida Secreta de Walter Mitty se inspirou neste conto, que passou a designar em língua inglesa pessoas sonhadoras. Você pode ler a resenha do filme em nosso blog (aqui). 

O conto traduzido foi tirado do site altamenteacido.com.br 
E a versão original em inglês http://bnrg.eecs.berkeley.edu/~randy/mitty.html 

Leia agora:

O que nem Thurber esperava, era pelo tamanho do sucesso do seu personagem. Tanto que Walter não apenas ganhou um livro inteirinho por conta, como também lugar no imaginário norte americano, a ponto de parar na terminologia militar (quando um sujeito quer ser soldado, mas não leva jeito nenhum pra coisa, eles o chamam de Walter) e até no site oficial do Snoopy (que descreve o cãozinho como um Beagle com complexo de Walter Mitty).

Nós, pobres colonizados, só poderemos conferir por aqui a versão Stiller da obra para os cinemas no final de dezembro. Porém, se quiser saber como foi a primeira aparição para o mundo deste universo Mittyco, aqui vai o conto original traduzido na íntegra.

Desperte o fantástico mundo de Bob que existe em você.

A vida secreta de Walter Mitty
de James Thurber

- Vamos atravessar! – a voz do Comandante era como o quebrar de uma fina camada de gelo. Estava de uniforme de gala e tinha o boné branco, cheio de galões, caído displicentemente sobre um dos olhos frios e cinzentos.
- Não vamos conseguir, Senhor Comandante. Vem aí um furacão, se quer saber a minha opinião.
- Não quero saber a sua opinião, Tenente Berg – disse o Comandante – Potência máxima! Aumentem a velocidade de rotação até os 8.500! Vamos atravessar!
Intensificou-se o bater dos cilindros: tá-poquetá-poquetá-poquetá-poquetá-poquetá! O Comandante ficou por um momento a observar o gelo que se formava na janela do piloto. Em seguida girou uma fileira de botões complicados.
- Liguem o motor auxiliar número 8! – gritou.
- Liguem o motor auxiliar número 8! – repetiu o Tenente Berg.
- Potência total na torre número 3! – gritou o Comandante.
- Potência total na torre número 3!
A tripulação, ocupada nas várias tarefas dentro do gigantesco hidroavião da Marinha, propulsionado por oito motores, entreolhava-se e sorria.
- O Velho vai fazer-nos atravessar – diziam entre si – O Velho não tem medo do Inferno…

- Não vá tão depressa! Você está correndo demais! – disse a Sra. Mitty – Por que você dirige tão rápido?

- Hã? – disse Walter Mitty. Espantado, olhou para a mulher, sentada no banco ao seu lado. Pareceu-lhe muito pouco familiar, como uma desconhecida que no meio da multidão lhe tivesse gritado uma coisa qualquer.
- Você estava a mais de oitenta por hora – disse – Você sabe que não gosto de andar a mais de sessenta. Você estava a mais de oitenta.
Walter Mitty continuou a conduzir em silêncio até Waterbury, enquanto o rugido do SN202, que enfrentava a pior tempestade em vinte anos de Aviação Naval, desaparecia nas remotas e íntimas rotas aéreas do seu pensamento.
- Você está ficando tenso outra vez – disse a Sra. Mitty – Você está num daqueles dias. Devia deixar que o Dr. Renshaw o examinasse.

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Walter Mitty parou o carro em frente ao prédio onde a mulher ia ao cabeleireiro.
- Lembre-se de comprar as galochas enquanto estou no cabeleireiro – disse ela.
- Não preciso de galochas – disse Mitty.
Ela devolveu o espelho à bolsa.
- Já discutimos isto – disse, saindo do carro – Você não é mais uma criança.
Ele fez o motor acelerar um pouco.

- Por que você não coloca as luvas? Você perdeu as luvas? Walter Mitty levou a mão ao bolso e tirou as luvas. Colocou-as, mas depois que a mulher virou-se e entrou no prédio e que ele chegou ao sinal, começou a tirá-las novamente.
- Vamos com esse carro! – repreendeu o policial, quando o sinal abriu. Mitty tirou apressadamente as luvas e avançou num solavanco. Dirigiu sem destino pelas ruas durante algum tempo e passou em frente ao hospital, a caminho do estacionamento.
- …É o banqueiro milionário, Wellington McMillan – disse a bonita enfermeira.
- Sim? – respondeu Walter Mitty, tirando lentamente as luvas – Quem está tomando conta do caso?
- O Dr. Renshaw e o Dr. Benbow, mas há também dois especialistas, o Dr. Remington de Nova Iorque e o Dr. Pritchard-Mitford de Londres. Veio de avião.
Abriu-se uma porta em um corredor comprido e frio e apareceu o Dr. Renshaw. Parecia aturdido e extenuado.
- Olá, Mitty – disse – Estamos passando um mau bocado com McMillan, o banqueiro milionário que é amigo íntimo de Roosevelt. Obstrução terciária de canal. Gostaria que você o olhasse.
- Com muito prazer – disse Mitty.

Na sala de operações houve apresentações sussurradas.
- Dr. Remington, Dr. Mitty. Dr. Pritchardd-Mitford, Dr. Mitty.
- Li o seu livro sobre estreptotricose – disse Pritchard-Mitford, apertando-lhe a mão – Um trabalho brilhante.
- Obrigado – respondeu Walter Mitty.
- Não sabia que você estava nos Estados Unidos, Mitty – resmungou Remington – Chamaram-me e ao Mitford para ensinar o padre nosso ao vigário!
- Você é muito amável – disse Mitty.

Uma máquina enorme, complicada, ligada à mesa operatória, com muitos tubos e fios, começou nesse momento a fazer poquetá-poquetá-poquetá. – O novo aparelho de anestesia está falhando! – gritou um estagiário – Não há ninguém no país que saiba consertá-lo!
- Fique quieto! – disse Mitty numa voz baixa e controlada.
Correu para a máquina, que agora fazia poquetá-poquetá-pip-poquetá-pip. Pôs-se a dedilhar delicadamente uma fileira de botões cintilantes.
- Dêem-me uma caneta-tinteiro! – disse, áspero.
Alguém lhe passou uma caneta-tinteiro. Ele puxou um pistão avariado da máquina e introduziu a caneta no seu lugar.
- Isto vai agüentar uns dez minutos – disse – Continuem a operação.
Uma enfermeira veio correndo e sussurrou uma coisa qualquer a Renshaw, e Mitty viu o médico empalidecer.
- Instalou-se a coriopse! – exclamou Rennshaw, nervoso – E se você tomasse o meu lugar, Mitty?
Mitty olhou para ele, para a figura amedrontada de Benbow, que suava em bicas, e para a fisionomia carregada e hesitante dos dois grandes especialistas.- Se você prefere – disse.
Vestiram-lhe uma bata branca; ajustou a máscara e colocou umas luvas finas; as enfermeiras passavam-lhe reluzentes instrumentos cirúrgicos…

- Para trás, chefe! Cuidado com esse Buick! – Walter Mitty pisou fundo no freio – Você está na contra-mão! – disse o empregado do estacionamento, olhando fixamente para Mitty.
- Ih! é! – murmurou Mitty.
Com cautela, começou a dar marcha-à-ré na pista que dizia “Saída”.
- Deixe-o aí! – disse o empregado – Eu o dirijo.
Mitty saiu do carro.
- Olhe, é melhor deixar a chave.
- Ah! é! – disse Mitty, passando-lhe a chave da ignição.
O empregado saltou para dentro do carro, recuou com uma perícia insolente, e o arrumou no lugar.

São tão terrivelmente convencidos, pensou Walter Mitty, caminhando pelas ruas do centro da cidade; pensam que sabem tudo. Uma vez tentara tirar as correntes das rodas do carro, nos arredores de New Milford, e as enrolou todas nos eixos. Teve que vir um homem num reboque para desenrolá-las. Um jovem mecânico que não parava de rir. Desde então a Sra. Mitty sempre o fazia levar o carro à oficina para tirarem as correntes. Da próxima vez, pensou, vou com o braço na tipóia; eles assim já não vão sorrir. Vou com o braço na tipóia e eles hão de ver que eu não poderia de modo nenhum tirar as correntes sozinho. Enterrou o pé na lama do passeio. – Galochas – disse para consigo mesmo, e pôs-se à procura de uma sapataria.

Quando voltou para a rua, com as galochas numa caixa debaixo do braço, Walter Mitty começou a pensar qual seria a outra coisa que a mulher lhe tinha dito para trazer. Ela falara duas vezes, antes de saírem de casa para Waterbury. De certa forma ele detestava estas viagens semanais à cidade – sempre fazia alguma coisa errada. Lenços de papel – pensou – pomada, lâminas de barbear? Não. Pasta de dentes, escova de dentes, bicarbonato, esponja-de-aço, desiderato, estardalhaço? Desistiu. Mas ela ia lembrar-se. “Onde está o não-sei-o-quê”, perguntaria. “Não me diga que esqueceu do não-sei-o-quê”. Passou um rapaz a vender jornais e a gritar uma coisa qualquer sobre o julgamento de Waterbury.

- …Talvez isto lhe refresque a memória – O promotor agitou uma arma pesada diante da figura calma no banco das testemunhas – Já viu isto alguma vez?
Walter Mitty pegou a arma e a examinou com perícia.
- É a minha Webley-Vickers 50.80 – disse calmamente.
Um zum-zum de agitação percorreu o tribunal. O Juiz apelou à ordem.
- Imagino que o senhor seja um atirador de primeira com todo o tipo de armas de fogo – prosseguiu o promotor, num tom insinuante.
- Objeção! – gritou o advogado de Mitty – Demonstramos que o réu não pode ter disparado. Demonstramos que ele tinha o braço direito na tipóia, na noite de 14 de julho.
Walter Mitty levantou a mão por um momento e os advogados se calaram.
- Com todo o tipo de arma conhecido – disse, tranqüilo – eu poderia ter matado Gregory Fitzhurst a cem metros de distância com a minha mão esquerda.
Gerou-se o pandemônio na sala. Elevou-se sobre o tumulto um grito de mulher e de repente uma bela morena estava nos braços de Mitty. O promotor esbofeteou-a selvagemente. Sem se levantar da cadeira, Mitty deu ao homem o que ele merecia, na ponta do queixo.
- Cão desprezível!…

“Ração pra cachorro”, disse Walter Mitty. Estacou o passo e os prédios de Waterbury emergiram do tribunal nebuloso para novamente o rodearem. Uma mulher que passava sorriu.
- Ele disse “ração pra cachorro” – disse ao seu companheiro – Aquele homem disse “ração pra cachorro”, falando sozinho.
Walter Mitty apressou-se. Entrou numa loja de animais, não a primeira que encontrou mas uma segunda, menor, um pouco acima na mesma rua.
- Eu queria ração pra cachorro de raça, pequeno – disse ao empregado.
- Deseja alguma marca em particular?
O melhor atirador do mundo pensou por um momento.
- Na caixa está escrito: “Os cachorros ladram por ela” – disse Walter Mitty.

A mulher sairia do cabeleireiro em quinze minutos, pensou Mitty olhando para o relógio, se não tivesse problema para secar os cabelos; às vezes havia problema para secar os cabelos. Ela não gostava de chegar primeiro ao hotel; queria que ele estivesse ali à espera, como de costume. Ele encontrou uma poltrona de couro na entrada, de frente para uma janela, e colocou as galochas e a ração pra cachorro no chão. Pegou um velho número da revista Liberty e afundou-se na poltrona. “Pode a Alemanha Conquistar o Mundo pelo Ar?” Walter Mitty olhou para as fotografias de bombardeiros e de ruas destruídas.

- …O bombardeio deixou o jovem Raleigh muito nervoso, Capitão – disse o Sargento.
O Capitão Mitty levantou os olhos para ele, por entre os ralos cabelos despenteados.
- Metam-no na cama – disse, cansado – Com os outros. Vou voar sozinho.
- Não pode fazer isso, Capitão – disse, ansioso, o Sargento – São necessários dois homens para controlar esse bombardeiro e os inimigos estão fazendo do céu um inferno. O palco dos combates vai daqui até Saulier.
- Alguém tem que chegar àquele paiol – disse Mitty – Lá vou eu. Uma dose de conhaque?
Serviu uma dose para o Sargento e outra para si. A guerra trovejava e gemia à volta da trincheira e fustigava a porta. A madeira estalou e farpas atravessaram a sala.
- Foi por pouco – disse o Capitão Mitty, despreocupadamente.
- O fogo de artilharia aproxima-se – disse o Sargento.
- Só se vive uma vez, Sargento – disse Mitty, no seu sorriso leve e rápido – Não é?
Serviu mais uma dose de conhaque e a engoliu de um trago.
- Nunca vi ninguém agüentar o conhaque como o senhor – disse o Sargento – Com o devido respeito, Capitão.
O Capitão Mitty levantou-se e pôs no ombro a sua gigantesca Webley-Vickers automática.
- São 40 quilômetros de inferno – disse o Sargento.
Mitty acabou uma última dose de conhaque.
- No fundo – disse suavemente – o que é que não é um inferno?
Aumentavam os tiros de canhão; ouviu-se o rá-tá-tá das metralhadoras, e veio de algum lugar o ameaçador poquetá-poquetá-poquetá dos novos lança-chamas. Walter Mitty foi para a porta da trincheira cantarolando “Auprès de Ma Blonde”. Virou-se e acenou ao Sargento: “Até breve!”, disse…

Algo lhe bateu no ombro.
- Estou à sua procura pelo hotel inteiro – disse a Sra. Mitty – Por que você teve de se esconder nessa cadeira velha? Como é que queria que eu o encontrasse?
- O cerco aperta-se – disse Walter Mitty vagamente.
- O quê? – disse a Sra. Mitty – Você trouxe o não-sei-o-quê? A ração pra cachorro? O que é que está dentro dessa caixa?
- As galochas – disse Mitty.
- Você não podia tê-las calçado na loja?
- Estava pensando – disse Walter Mitty – Nunca lhe ocorreu que eu às vezes posso estar pensando?
Ela olhou para ele.
- Quando chegarmos em casa vou ver se você tem febre – disse.

Passaram pelas portas giratórias que rangiam um tanto zombeteiramente quando empurradas. Estavam a dois quarteirões do estacionamento. Ao chegarem à esquina da farmácia ela disse: “Espere aqui por mim. Esqueci-me de uma coisa. É só um instantinho”. Foi mais do que um instantinho. Walter Mitty acendeu um cigarro. Começou a cair uma chuva fina. Ele pôs-se a fumar encostado à parede da farmácia… Endireitou os ombros e juntou os calcanhares. “Para o inferno com esse lenço”, disse Walter Mitty com desdém. Deu uma última tragada e atirou o cigarro no chão. Depois, com aquele sorriso leve e rápido brincando nos lábios, encarou o pelotão de fuzilamento, impassível, orgulhoso e desdenhoso. Walter Mitty, o invencível, impenetrável até o fim.
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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livro: A revolta de Atlas - Ayn Rand

Ayn Rand é uma escritora, filosofa, dramaturga e roteirista americana, de origem russa. Nascida em 2 de fevereiro de 1905, em São Petersburgo e emigrou para os Estados Unidos em 1926. Publicou no ano de 1943 The Fountainhead ("A nascente", no Brasil) e em 1957 foi lançado aquele livro que é considerado sua melhor obra Atlas Shrugged ("A revolta de Atlas", no Brasil). Livro que indico a leitura.

Clique na imagem para ler o Volume I

Atlas, é na mitologia grega um dos titãs, seres gigantes, violentos e monstruosos que encarnavam as forças selvagens da natureza, forças do caos e da desordem, escravos da matéria e do sentimento que preparariam o mundo para receber uma forma de vida mais elevada e consciente: os seres humanos. Em união com outros titãs, Atlas iniciou uma revolta para conquistar o Olimpo e exercer o poder supremo. Foram, contudo, derrotados por Zeus e seus aliados. Como forma de punição, Zeus, condenou Atlas a suportar eternamente o peso dos céus sobre os ombros. 

O livro a Revolta de Atlas fala de como as ideias coletivistas, a busca pelo bem-estar comum está destruindo o ambiente propício para que os empreendedores e homens criativos possam desempenhar o seu trabalho. Num Estado Unidos sob um regime totalitário de governo que pretende controlar todas as dimensões da vida, os homens criativos encontram-se desmerecidos, taxados, discriminados. Tal qual o Atlas da mitologia, os empreendedores parecem condenados a sustentar toda a sociedade em seus ombros, até que por não mais suportarem a opressão vão desaparecendo um a um. 

O universo em que se passa a Revolta de Atlas é decadente, dominado por homens incompetentes e invejosos dedicados a sugar dos indivíduos tudo quanto for possível em nome do coletivo. Vive-se então num ambiente de corrupção, de relações obscuras entre governo e empresários amigos. O livre mercado é atacado, inovadores desestimulados e empresários oprimidos, trazem como consequência um mundo em que sem estes criadores a economia retrocede. 

Não podia falar deste livro, sem falar num questionamento que abre e encerra a obra: Quem é John Galt? A princípio provavelmente você terá a mesma atitude das personagens diante desta pergunta, que surge sempre que parece faltar a resposta para uma situação. 

A revolta de Atlas é um livro que nos leva a pensar num mundo em que a criatividade, a iniciativa, o individualismo, o capitalismo, o livre mercado são suprimidos, para impor em substituição um mundo igualitário, centralizado, coletivista, que põe o bem-estar coletivo acima do individual. Este é o segundo livro mais vendido dos Estados Unidos, atrás apenas da Bíblia. 

O vídeo a seguir venceu o concurso "Lições da Revolta de Atlas", e sem dúvida te fará começar a leitura deste livro: 

Link Original do vídeo no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=xKbMsVLF5w4


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domingo, 6 de abril de 2014

Livro: Frederic Bastiat

Frederic Bastiat foi um dos grandes filósofos liberais do séc. XIX. Francês, nasceu em 1801 na cidade de Bayone, sudoeste da França, próximo à fronteira com a Espanha, uma cidade portuária. 
Bastiat

Bastiat alertava aos franceses para: "Não esperar senão duas coisas do Estado: Liberdade e Segurança, e ter bem claro que não se poderia pedir mais uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas". 

Infelizmente, Bastiat, que era deputado, era uma voz solitária no parlamento francês, oprimida pela demagogia dos Construtivistas e Protecionistas. Os franceses pediram então mais do que uma terceira coisa ao Estado. No calor da época, ceder à sedução e a confusão dos vendedores de facilidades públicas parecia inevitável. Mas, hoje, apenas podemos observar o final a que conduziu.

A obra de Bastiat acabou sendo esquecida na França, mas, fez grande sucesso no exterior, especialmente nos Estados Unidos, que ficaram responsáveis por relembrar aos franceses de seu grande compatriota. Reimpressos em 1893 em francês por Florin Aftalion, este diz: "que não se trata somente de reparar uma injustiça, mas, sobretudo de mostrar que as ideias de um dos mais ferrenhos, defensores do liberalismo conservaram até hoje sua atualidade e pertinência. Que o autor se tenha, por vezes, enganado ao se aventurar na teoria pura, que seu estilo pareça bem marcado por sua época e que seu tom traia a ingenuidade de um espírito por demais íntegro, pouco importa".

Ainda que não devamos querer resolver todos os problemas de hoje com os preceitos do  século retrasado. O que deve ser visto é que ao contrário do que os opositores afirmam, o pensamento liberal não se encerra em receitas econômicas. O que torna o liberalismo sempre atual é seu respeito pelas leis naturais que regulam os processos da vida, incluído aí os fatores econômicos, mas, também os sociais. Tais leis são evidentes, e por mais que o mundo se transforme a cada segundo, elas permanecem imutáveis.

Você pode ler o livro online na Biblioteca do Instituto Ludwig Von Mises



Poderá também compra-lo na loja online.
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